Uma descoberta recente chamou atenção de historiadores, arqueólogos e estudiosos de textos religiosos. Pesquisadores conseguiram recuperar páginas perdidas de um dos mais antigos textos do Novo Testamento,
trazendo à tona trechos que permaneceram invisíveis por cerca de 1.500 anos.
O documento, conhecido como Codex H, é considerado uma das mais importantes cópias antigas das cartas de São Paulo. Produzido no século 6, o manuscrito desapareceu ao longo da idade média após ser desmontado e reutilizado por monges em outros livros religiosos. Com o passar dos séculos, partes do texto original foram apagadas ou encobertas por novas camadas de tinta.
Texto oculto por séculos
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Cartas do Novo testamento - Getty Images[/caption]
Agora, graças ao uso de imagens multiespectrais uma técnica capaz de identificar vestígios de tinta invisíveis a olho nu, uma equipe internacional conseguiu recuperar 42 páginas consideradas perdidas.
Segundo os pesquisadores, a descoberta não apresenta um conteúdo inédito do Novo Testamento, mas oferece pistas valiosas sobre a forma como os textos cristãos eram copiados, corrigidos e preservados nos primeiros séculos do cristianismo.
Além do conteúdo religioso, os fragmentos também revelam anotações feitas por escribas, correções manuais e textos editoriais que ajudam especialistas a compreender como comunidades antigas preservavam seus textos sagrados.
Os estudiosos acreditam que o manuscrito foi desmontado durante a idade média e seus fragmentos acabaram espalhados entre bibliotecas e coleções europeias.
Para especialistas, a recuperação do chamado "texto fantasma" realizada pela University of Glasgow representa uma nova oportunidade de entender como manuscritos religiosos atravessaram guerras, deslocamentos e séculos de transformações culturais até chegar aos dias atuais.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes











