Um novo estudo aponta que as partículas de plástico que estão circulando na nossa atmosfera estão cooperando com o aquecimento do planeta Terra.
A pesquisa, publicada no dia 4 de maio na revista Nature
Climate Change, aponta que as partículas coloridas absorvem luz no lugar de refletir, fazendo com que o ar ao redor aqueça.
O pesquisador de microplásticos, Steve Allen, afirmou que este novo artigo revela uma verdade muito preocupante sobre os perigos dos micro e nanoplástico.
De acordo com a Smithsonian Magazine, as partículas de plástico que possuem menos de cinco milímetros de comprimento são consideradas microplásticos e as partículas menores são chamadas de nanoplásticos.
Inicialmente, o estudo buscava investigar os efeitos dos microplásticos na saúde humana e seu impacto no meio ambiente, eles ainda não tinham certeza se estes microplásticos poderiam contribuir nas mudanças climáticas.
Os pesquisadores examinaram como as características dessas partículas poderiam influenciar nas interações dos microplásticos com a luz do sol. No laboratório, eles mediram o que aconteceria caso partículas coloridas fossem expostas a diferentes comprimentos de onda, através disso, descobriram que a cor desempenha um papel fundamental.
O coautor do estudo e cientista ambiental, Yu Liu, disse durante coletiva de imprensa que partículas pretas, amarelas, azuis e vermelhas absorvem a luz solar com muito mais intensidade que as partículas brancas.
A equipe do estudo chegou à conclusão, através de seus estudos, que as partículas coloridas absorvem luz em níveis quase 75 vezes maiores que as partículas sem pigmento.
Além disso, outro fator, como o tamanho, também foi importante, visto que as análises mostraram que os pedaços menores absorviam e dispersavam a luz com mais intensidade em comprimentos de ondas mais curtos, enquanto os maiores apresentavam um padrão de interação mais amplo e gradual em diferentes comprimentos de onda, explicou a Smithsonian magazine.
Segundo o estudo, os fragmentos de micro e nanoplásticos contribuem com equivalente de cerca de um sexto da quantidade de carbono negro ou fuligem. Os autores do estudo escreveram que isso se trata de uma fração substancial, visto que essas partículas são uma classe de poluentes que não têm sido incluída nas avaliações climáticas.
Gilberto Binda, pesquisador de microplásticos da Universidade de Insubria, na Itália, disse em um artigo complementar: “Essas descobertas sugerem que os microplásticos e nanoplásticos presentes no ar não são apenas um problema de contaminação ambiental, mas potencialmente um fator climático emergente”.
Ele ainda relatou que os pesquisadores possuem poucos dados sobre a concentração de plásticos na atmosfera, seus tamanhos, composição química e outros fatores que podem contribuir com a interação da luz solar.
De acordo com a pesquisadora de microplásticos da Universidade de East London, Ria Devereux, o trabalho dos pesquisadores foi interessante, mas não foi feito em um ambiente do mundo real.
“As condições de laboratório utilizadas foram mais simples do que no mundo real, já que os plásticos se degradam de maneiras mais complexas e interconectadas, não apenas pela luz ultravioleta, mas também pela umidade, produtos químicos, ações das ondas, entre outros fatores”.
Apesar de todos os efeitos dos microplásticos não serem totalmente compreendidos, os especialistas afirmam que existe a necessidade de combater esse poluente que ameaça a saúde humana e o meio ambiente.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes










