Um estudo realizado pela Universidade de Utrecht, e repercutido pelo Daily Mail, revelou uma nova previsão ao enfrentamento da crise climática pelos próximos 70 anos: até 2100, estima-se que a temperatura
média da Terra sofra um aumento de 3,5ºC.
Os autores da projeção defendem que o número expressivo deve-se, principalmente, ao aumento global nas emissões de gases poluentes, que voltou a figurar com maior frequência nos últimos anos, apesar de iniciativas como o Acordo de Paris e campanhas internacionais de Carbono Zero.
Conforme relatou ao Daily Mail Detlef van Vuuren, principal autor do estudo, os efeitos climáticos que este fenômeno pode exercer incluem "forte aumento do nível do mar, eventos climáticos mais extremos‚ e impactos sobre o rendimento das culturas".
van Vuuren destaca ainda que estas implicações podem ser fruto do que ele chamou de "pontos de ignição": eventos-chave nos aumentos de temperatura que tornariam o aquecimento irreversível. O estudo também atenta para consequências práticas nas correntes oceânicas, com impacto na Circulação Meridional de Reviravolta do Atlântico (AMOC).
Aumento de temperatura
Durante décadas, um dos maiores temores da ciência climática era a possibilidade de a Terra registrar um aquecimento global superior a 5°C até o fim do século. Esse cenário extremo, conhecido em estudos climáticos como SSP5-8.5 ou RCP8.5, serviu por anos como referência para projeções catastróficas envolvendo colapso de ecossistemas, secas prolongadas, crises alimentares e aumento dramático do nível do mar. Apesar da redução na estimativa do aquecimento, o novo índice ainda preocupa os especialistas.
O novo “pior cenário plausível” está ainda muito acima das metas do Acordo de Paris, que tentam limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C ou, no máximo, 2°C.
Especialistas alertam que a mudança nos modelos não significa que a crise climática esteja “resolvida”. Um estudo publicado recentemente na revista Nature mostrou que mesmo cenários médios de aquecimento ainda podem desencadear eventos climáticos extremos simultâneos em diferentes regiões do planeta.
O levantamento de van Vuuren também aponta para a influência do eventual aumento no uso de combustíveis fósseis em questões geopolíticas específicas em cada país do mundo, como a oposição à construção de parques eólicos, o desemprego e alterações nos índices agrícolas internacionais.
Para os cientistas, a principal mensagem é paradoxal: o pior cenário imaginado décadas atrás talvez esteja se afastando, mas isso não significa um futuro seguro.











