Depois de décadas confundindo astrônomos, uma estrela das mais enigmáticas visíveis a olho nu finalmente teve seu segredo revelado. Cientistas descobriram a origem das intensas emissões de raios X produzidas
por Gamma Cassiopeiae, estrela localizada na constelação de Cassiopeia, encerrando um mistério que atravessou mais de meio século de pesquisas astronômicas.
Conhecida também como γ-Cas, a estrela intriga pesquisadores desde o século XIX. Em 1866, o astrônomo italiano Angelo Secchi percebeu que ela apresentava características incomuns em seu espectro luminoso, levando à criação de uma nova categoria de estrelas: as chamadas estrelas “Be”, gigantes extremamente quentes que giram em altíssima velocidade e lançam matéria ao redor de si.
Radiação da estrela
Mas o verdadeiro mistério surgiu nos anos 1970, quando observatórios detectaram que Gamma Cassiopeiae emitia raios X muito mais intensos do que o esperado para estrelas desse tipo. A radiação era cerca de 40 vezes mais poderosa do que a observada em outras estrelas semelhantes, além de apresentar temperaturas absurdamente elevadas, superiores a 100 milhões de graus.
Durante décadas, astrônomos tentaram explicar o fenômeno. Algumas hipóteses sugeriam que os raios X eram produzidos por instabilidades magnéticas da própria estrela. Outras defendiam a existência de uma companheira invisível interagindo com o material expelido por Gamma Cassiopeiae. Faltavam, porém, evidências diretas capazes de confirmar qualquer teoria.
A resposta finalmente veio graças ao telescópio espacial japonês XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission), lançado para estudar o universo em raios X com precisão sem precedentes. Utilizando instrumentos extremamente sensíveis, pesquisadores conseguiram rastrear o movimento do plasma superquente responsável pela radiação emitida pelo sistema estelar.
As observações mostraram que os raios X não eram produzidos diretamente pela estrela principal, mas sim por uma pequena anã branca orbitando Gamma Cassiopeiae. Uma anã branca é o núcleo remanescente extremamente denso de uma estrela que já esgotou seu combustível nuclear. Apesar de ter massa semelhante à do Sol, ela possui tamanho comparável ao da Terra.
Segundo os pesquisadores, a anã branca está “roubando” material do enorme disco de gás lançado pela estrela principal. Esse material é puxado pela intensa gravidade da companheira invisível e acelerado a temperaturas extremas conforme cai sobre sua superfície. É justamente esse processo que gera as misteriosas emissões de raios X observadas há décadas.











