O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira, 18, a equipe de arquitetura escolhida para conduzir a renovação do Museu do Louvre. O projeto, chamado “Louvre: Novo Renascimento”,
será desenvolvido pelos escritórios STUDIOS Architecture Paris e Selldorf Architects e prevê uma ampla modernização do museu, incluindo uma sala exclusiva para a Mona Lisa e uma nova entrada próxima ao Rio Sena.
A proposta foi escolhida após um concurso internacional de arquitetura promovido pelo governo francês. Segundo as autoridades, o projeto vencedor se destacou pela integração com o contexto histórico, urbano e paisagístico do Louvre.
Ainda não há uma data oficial para o início das obras. Antes da execução, o museu e a equipe de arquitetura devem realizar consultas com funcionários da instituição, órgãos públicos, representantes da prefeitura e visitantes para aperfeiçoar a proposta. De acordo com a CNN, a reforma poderá se estender por até dez anos, enquanto a nova entrada do museu está prevista para 2031. Estimativas não oficiais apontam que os investimentos devem ultrapassar 800 milhões de euros, valor equivalente a mais de R$ 4,6 bilhões na cotação atual.
O projeto de renovação surge em meio ao aumento expressivo do número de visitantes no museu. A última grande transformação estrutural do Louvre ocorreu na década de 1980, quando foi inaugurada a famosa pirâmide de vidro. Na época, o espaço havia sido planejado para receber cerca de 4 milhões de visitantes por ano.
Atualmente, o Louvre figura entre os museus mais visitados do planeta, registrando mais de 9 milhões de visitantes em 2025. Segundo a proposta apresentada, o crescimento do turismo internacional, somado a desafios relacionados à segurança, ao ambiente digital, às mudanças climáticas e ao desgaste natural da estrutura, tornou necessária uma nova etapa de modernização.
Detalhes do projeto
Entre os principais pontos previstos está a criação de uma nova entrada pela fachada leste do museu, além da reformulação das rotas internas de circulação. A expectativa é tornar o fluxo de visitantes mais eficiente e reduzir a superlotação em determinadas áreas.
A renovação também pretende valorizar a histórica Colunata do Louvre, que ganhará uma nova composição paisagística e arborizada. O plano inclui ainda uma requalificação urbana da área localizada diante da estrutura histórica, buscando ampliar a conexão entre o museu e a cidade de Paris.
Outro destaque do projeto é a criação de um espaço inteiramente dedicado à Mona Lisa, considerada a obra mais famosa do acervo do Louvre. Atualmente, a pintura está exposta atrás de um vidro protetor na maior sala do museu, frequentemente tomada por visitantes interessados em fotografar e registrar selfies diante da obra.
Segundo a proposta, a nova área permitirá que o público contemple a pintura em condições mais adequadas, com melhor circulação e experiência de visitação. O projeto também prevê novos espaços de descanso, áreas de alimentação e lojas.
O consórcio vencedor da concorrência reúne escritórios com experiência em projetos culturais internacionais. O STUDIOS Architecture Paris é a filial francesa de um coletivo internacional fundado em 1985 e já participou de iniciativas como a Fundação Louis Vuitton e a LUMA Foundation, em parceria com a Gehry Partners.
Já o Selldorf Architects foi fundado em Nova York, em 1988, pela arquiteta alemã Annabelle Selldorf. O escritório é conhecido por projetos que combinam simplicidade, sustentabilidade e linguagem contemporânea. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão a Coleção Frick e a Ala Sainsbury da National Gallery.
Além da arquitetura, o Selldorf Architects também será responsável pela cenografia e museografia do Louvre. O paisagismo e o planejamento urbano ficarão sob responsabilidade da BASE Landscape Architecture.
As mudanças estruturais fazem parte de um plano mais amplo de modernização financeira e operacional do museu. Em janeiro deste ano, o Louvre aumentou o valor dos ingressos para visitantes de fora da Europa. O bilhete individual passou de 22 para 32 euros, equivalente a aproximadamente R$ 186, repercute a CNN Brasil.
Segundo o museu, a expectativa é que a nova política gere uma arrecadação adicional entre 15 e 20 milhões de euros por ano, recursos que devem ajudar a financiar as reformas e solucionar problemas estruturais da instituição.











