No fim do último mês, pesquisadores de São Paulo celebraram a primeira clonagem suína do Brasil. O nascimento marca o projeto de gerar porcos geneticamente modificados capazes de fornecer órgãos para transplantes
humanos.
Após quase seis anos de pesquisa, pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR) e da Universidade de São Paulo (USP), que a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) apoiou, marcam a primeira clonagem de porcos da América Latina.
Conforme os pesquisadores, o trabalho genético coloca o Brasil como concorrente dos Estados Unidos e da China no mercado de órgãos de animais para transplante em humanos. Assim, o projeto visa baratear a importação e abastecer o SUS.
A clonagem e os genes
Nascido em Piracicaba, interior de São Paulo, no laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), o porco recém-nascido é a promessa de transplantes de animais (ou xenotransplantes) sem qualquer rejeição imunológica.
Dessa forma, liderada pelos principais nomes da medicina e biologia do Brasil, pautada em sua maioria por professores da USP, o projeto começou em 2019. Porém, ganhou mais força somente em 2022 com a criação do XenoBR, um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) financiados pela Fapesp.
Primeiramente, para diminuir o índice de rejeição imunológica, os pesquisadores tiveram de modificar geneticamente o suíno, retirando genes específicos e colocando outros, até mesmo de humanos, no lugar. Assim, o transplante que antes seria morte certa pode garantir a vida dos pacientes por mais tempo.
Os porcos foram escolhidos devido à proximidade de seus órgãos com os humanos e a rapidez em que ninhadas nascem e crescem. Com apenas 7 meses, o animal pode ser selecionado para realizar o transplante. Ou seja, em apenas poucos anos, plantéis espalhados pelo Estado de São Paulo podem dar conta dos transplantes de órgãos do SUS no sudeste.
O primeiro embrião com as modificações foi transferido para fêmeas híbridas, da linhagem Landrace e Large White. Após apenas 4 meses de gestação, o primeiro clone suíno saudável nasceu. Como resultado, um animal “super saudável” com 1,7 kg veio ao mundo. Logo após o nascimento a equipe comemorou o domínio da tecnologia e do processo, repercute o UOL.
++ Vaticano confirma que católicos podem receber órgãos de animais
Competição Global
No entanto, apesar da conquista ser surpreendente para o Brasil, ainda serão necessários investimentos para que a produção de órgãos para os xenotransplantes seja suficiente para concorrer com os Estados Unidos e a China, atuais líderes mundiais.
De todo modo, o nascimento do primeiro porco clonado do Brasil é símbolo da tecnologia de ponta brasileira. Assim, o Brasil, se manter os investimentos e desenvolvimentos em pesquisa, pode alcançar os grandes líderes mundiais.
*Sob supervisão de Éric Moreira












