Arqueólogos e pesquisadores anunciaram nesta semana, em estudo publicado na revista Nature, uma descoberta geológica que pode reconfigurar o papel do rio Eufrates na narrativa bíblica do Jardim do Éden,
descrita no livro de Gênesis. O rio é nomeado na obra como um dos quatro cursos d'água que fluem do lar paradisíaco de Adão e Eva.
A nova pesquisa se propõe a determinar a origem do Eufrates, uma questão histórica que tem sido motivo de incerteza por parte dos especialistas. Mesmo com sua importância cultural e religiosa na formação das primeiras comunidades humanas, os estudiosos das áreas de geologia e hidrologia ainda não conseguem precisar as circunstâncias de formação do rio.
O debate parece prestes a ganhar uma nova perspectiva. Segundo o estudo, as evidências da origem do corpo d'água permaneceram ocultas por milhões de anos sob camadas de sedimentos, decorrentes de inúmeros choques tectônicos.
A equipe envolvida no estudo se mobilizou para reconstruir a morfologia do rio desde seus princípios. O trabalho contou com imagens sísmicas, observações de satélite, mapeamento geológico e análises de sedimentos depositados sob o Mar Mediterrâneo.
A pesquisa indica que o Eufrates pode ser fruto da confluência de dois antigos rios que permeavam o Oriente Médio há milhões de anos: o Paleo-Karasu — que percorria a atual Turquia — e o Paleo-Murat — que se estendia pela Síria. Os dois cursos teriam se unificado há 1,6 milhão de anos, quando intensas transformações geológicas (fruto de erosões e atividade tectônica) modificaram naturalmente a trajetória dos rios, fluindo em direção ao Golfo Pérsico.
O estreitamento entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, com a formação do Estreito de Gibraltar, também teria sido outro fator de influência direta na origem do Eufrates. Há 5,3 milhões de anos, o encurtamento fez com que grande parte do antigo Mediterrâneo, secasse, baixando o nível do mar em sua porção oriental.
Os pesquisadores acreditam que essas mudanças podem ter feito com que grandes lagos nas terras altas da Anatólia, onde os antigos rios fluíam, rompessem repentinamente, contribuindo diretamente para a confluência no Eufrates.











