Uma imensa fratura geológica que atravessa o leste da África pode estar avançando mais rapidamente do que os cientistas acreditavam anteriormente. Segundo pesquisadores que acompanham a atividade tectônica
na região, o fenômeno poderá, no futuro, separar parte do continente africano e criar um novo oceano entre as massas de terra.
O processo ocorre no chamado Sistema de Rift da África Oriental, uma extensa zona de separação tectônica que se estende por milhares de quilômetros, passando por países como Etiópia, Quênia e Moçambique. A região é considerada uma das áreas geologicamente mais ativas do planeta.
De acordo com o estudo, o continente africano está lentamente se partindo em duas grandes placas tectônicas: a Placa Nubiana, a oeste, e a Placa Somali, a leste. O afastamento entre elas acontece em velocidade extremamente lenta — geralmente medida em milímetros por ano —, mas novos estudos sugerem que alguns processos podem ocorrer de maneira menos gradual do que se imaginava.
África dividida?
O interesse público pelo fenômeno cresceu após o aparecimento de enormes rachaduras visíveis em regiões do Quênia e da Etiópia nos últimos anos. Em alguns casos, fissuras gigantescas abriram cortes no solo após períodos de chuvas intensas e atividade sísmica, alimentando especulações sobre uma possível “divisão iminente” do continente.
Especialistas, porém, alertam que o processo completo ainda levará milhões de anos. Apesar disso, pesquisadores afirmam que certas mudanças geológicas podem acontecer em períodos relativamente curtos em escala humana, especialmente em áreas vulcânicas e sísmicas mais instáveis.
A formação de um novo oceano ocorreria porque, à medida que as placas tectônicas continuam se afastando, o espaço aberto poderia eventualmente ser preenchido por água do Oceano Índico. Isso criaria uma nova massa oceânica separando o chamado Chifre da África — região que inclui países como Somália e Etiópia — do restante do continente.
Fenômenos semelhantes já ocorreram na história geológica da Terra. Cientistas acreditam que oceanos atuais, como o Atlântico, surgiram justamente a partir da separação gradual de placas tectônicas milhões de anos atrás. O processo faz parte da dinâmica natural do planeta, impulsionada pelo movimento lento do manto terrestre abaixo da crosta.
Além do impacto geográfico, o Rift da África Oriental também desperta interesse econômico e científico. A região concentra intensa atividade vulcânica, recursos minerais e importantes descobertas arqueológicas relacionadas à evolução humana. Muitos dos fósseis mais antigos de ancestrais humanos foram encontrados justamente em áreas próximas às falhas tectônicas do leste africano.











