O Vaticano advertiu a Fraternidade São Pio X para que não realize a ordenação de novos bispos sem a autorização do papa Leão XIV, alertando que a medida poderá resultar em excomunhão automática dentro
da Igreja Católica.
A advertência está relacionada ao anúncio feito pela atual liderança do grupo em fevereiro, quando informou a intenção de consagrar novos bispos em julho sem a aprovação da Santa Sé. A justificativa apresentada foi a necessidade de ampliar o número de superiores responsáveis pela condução da sociedade religiosa.
Segundo as regras da Igreja Católica, apenas o papa pode autorizar a consagração de novos bispos. A norma busca preservar a sucessão apostólica, princípio que mantém a ligação simbólica e institucional entre os bispos atuais e os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros sacerdotes e bispos.
A consagração episcopal sem consentimento papal implica excomunhão automática tanto para o bispo que realiza a cerimônia quanto para aquele que é consagrado. Nesses casos, os envolvidos passam a ser considerados formalmente separados da Igreja, segundo a CNN Brasil.
Pessoas excomungadas não podem receber os sacramentos, ocupar cargos eclesiásticos ou participar plenamente da vida religiosa até que haja arrependimento e reconciliação com a instituição. Caso morram enquanto permanecem nessa condição, também não podem receber sepultamento católico.
Na primeira ameaça pública de excomunhão durante o pontificado de Leão XIV, o escritório doutrinal do Vaticano informou à Fraternidade São Pio X que uma eventual ordenação sem consentimento criaria um “cisma”, ou seja, uma ruptura formal com o papa e com a autoridade central da Igreja.
Fraternidade São Pio X
Com sede na Suíça, a Fraternidade São Pio X é conhecida por sua postura ultratradicionalista, especialmente pela defesa da missa em latim e pela rejeição de pontos centrais do Concílio Vaticano II, encontro histórico de bispos realizado no Vaticano durante a década de 1960 que promoveu uma série de reformas na Igreja global.
O grupo mantém relações tensas com o Vaticano há décadas e afirma contar atualmente com 733 sacerdotes em diferentes países.
O histórico de conflito remonta ao fundador da fraternidade, o arcebispo Marcel Lefebvre, que foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II.
A nova advertência reacende esse embate histórico entre a Santa Sé, agora sob a liderança de Leão XIV, e o grupo tradicionalista, e reforça a posição do Vaticano de que qualquer nova ordenação sem aprovação pontifícia será tratada como uma ruptura formal com a Igreja.











