Bilhões de pessoas poderão acompanhar, a olho nu, a passagem de um dos asteroides mais famosos já descobertos. Conhecido como Apophis — ou "Deus do Caos", em referência à divindade egípcia da escuridão
e da desordem —, o corpo celeste fará uma aproximação histórica da Terra em 13 de abril de 2029, em um evento considerado pelos cientistas como único em muitas gerações.
Com aproximadamente 450 metros de largura, dimensão comparável à altura do Empire State Building, o Apophis passará a cerca de 30,6 mil quilômetros da superfície terrestre. A distância é menor do que a órbita de diversos satélites geoestacionários, tornando essa a primeira vez em que a humanidade poderá prever, com anos de antecedência, a passagem de um asteroide grande o suficiente para ser observado sem equipamentos ópticos.
Apesar da proximidade, os especialistas reforçam que não há qualquer risco de colisão durante a aproximação de 2029 nem nos próximos cem anos. Ainda assim, a passagem representa uma oportunidade científica rara. Astrônomos de diferentes países pretendem coordenar observações com telescópios espalhados pelo planeta para analisar a composição, a estrutura e possíveis alterações na órbita do objeto provocadas pela influência gravitacional da Terra. A missão OSIRIS-APEX, da NASA, também deverá estudar o asteroide de perto durante o encontro.
Avistamento do asteroide
Segundo projeções apresentadas por pesquisadores, até 90% da população mundial poderá observar o fenômeno em algum momento da trajetória. O melhor período de visibilidade ocorrerá sobre regiões da África Oriental, sul da Europa, Oriente Médio, Ásia e Austrália. No fim da passagem, moradores do leste da América do Sul — incluindo parte do Brasil — também poderão acompanhar o deslocamento do asteroide no céu. A América do Norte será o único continente sem uma boa posição para observação.
Durante o evento, o Apophis deverá aparecer como um ponto luminoso cruzando lentamente o céu, semelhante a um satélite artificial. Além de marcar um momento histórico para a astronomia, os cientistas esperam que o fenômeno desperte o interesse do público pela exploração espacial e inspire uma nova geração de pesquisadores dedicados ao estudo do Sistema Solar.













