Recentemente, a fotografia de uma formação rochosa no sul de Madagascar surpreendentemente parecida com a superfície lunar chamou a atenção. A imagem foi capturada por um astronauta a bordo da Estação
Espacial Internacional e retrata o maciço de Saririaky em meio à árida paisagem do país.
A semelhança com as rochas lunares se destacou. Por isso, especialistas vieram à público para explicar as razões das duas formações serem tão parecidas. De acordo com os especialistas em geologia, a formação é composta principalmente por anortosito, uma rocha ígnea que também é abundante nas terras altas lunares.
No entanto, isso não quer dizer que as formações tenham a mesma idade. Na verdade, estima-se que a origem das rochas de Madagascar seja o final do Pré-Cambriano, há pelo menos 600 milhões de anos. Enquanto que o satélite natural da Terra possui uma estimativa de mais de 3 bilhões de anos.
As formações rochosas parecidas com a Lua
Embora seja frequentemente associado à Lua, esses acúmulos de anortosito também ocorrem em diferentes regiões do planeta Terra. Por exemplo: no leste do Canadá, na Escandinávia, no sul da Índia e na ao norte de Madagascar. Nesse caso, a coloração clara se destaca com as rochas ao redor, o que torna o Saririaky reconhecível do espaço.
Vale destacar que a anortosita é uma rocha ígnea intrusiva, formada quando o material rochoso derretido esfria e se solidifica abaixo da superfície. Por não ter contato direto com a superfície, o resfriamento lento possibilita que os cristais que se formam desenvolvem cadeias relativamente grandes.
No caso lunar, estima-se que a superfície tenha mudado há 4 bilhões de anos. O astro que era como um grande oceano de magma, foi resfriando lentamente e cristalizou o material que se acumulava nas camadas superiores. Inclusive, para essa descoberta, foi essencial as amostras coletadas durante as missões Apollo.
De acordo com a revista Galileu, como as amostras lunares são raras, essas formações com características semelhantes permitem entender melhor os processos envolvidos na formação das rochas.
Além disso, a estrutura em Madagascar nos dá dicas de uma história da Terra. O maciço de Sariraky está em uma região de cisalhamento dúctil, área que as rochas podem se deformar sob temperaturas e pressões elevadas, dobrando-se e esticando-se gradualmente em vez de se romperem.
Essas transformações conseguem alterar a estrutura dos minerais sem necessariamente derretê-los. Nesse sentido, parte dessas transformações são associadas à formação do supercontinente Gondwana que reuniu regiões da África, da Índia, de Madagascar, da Austrália e da Antártida, etc.
Fato é que apesar de semelhantes as formações geológicas remontam períodos diferentes da história do planeta. Ainda que as diferenças sejam significativas, estudos cruzados podem ser proveitosos e nos ajudar a entender melhor astros para além da Terra.
*Sob supervisão de Éric Moreira











