A Terra costuma ser representada como uma esfera quase perfeita, mas um novo modelo tridimensional divulgado pela NASA mostra que sua forma real é muito mais complexa. A visualização utiliza dados coletados
por 19 satélites ao longo de 15 anos para representar o geoide, superfície que reflete as variações do campo gravitacional terrestre e serve como referência para medir altitudes em todo o planeta.
Segundo o modelo, essas ondulações variam de 85 metros acima da superfície de referência, na Islândia, a 106 metros abaixo, no sul da Índia. As diferenças, porém, não representam montanhas, vales ou fossas oceânicas, mas sim mudanças na intensidade da gravidade provocadas pela distribuição irregular de massa no interior da Terra.
O Brasil também participou da validação do modelo. Os pesquisadores compararam os resultados obtidos com medições de nivelamento por GNSS fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de conjuntos de dados da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos.
O que é o geoide?
O geoide é definido como uma superfície equipotencial, ou seja, uma superfície na qual o potencial gravitacional apresenta o mesmo valor em todos os seus pontos. Na prática, ele corresponde à forma que um oceano global em repouso assumiria caso estivesse sujeito apenas à ação da gravidade, sem influência de marés, ventos ou correntes marítimas.
Por isso, as ondulações exibidas pelo modelo não indicam diferenças no relevo terrestre. Elas representam regiões onde a gravidade é ligeiramente mais intensa ou mais fraca em razão da distribuição desigual de massa no interior do planeta.
Além de seu valor científico, o geoide desempenha uma função prática importante: ele é utilizado como superfície de referência para definir as altitudes oficiais de um território, incluindo o chamado nível do mar.
Dados reuniram mais de um bilhão de observações
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Da Islândia à Índia: NASA mapeia as "colinas e vales" da gravidade. - Créditos: NASA[/caption]
A visualização foi construída a partir do GOCO06s, um modelo global do campo gravitacional desenvolvido pelo projeto Gravity Observation Combination (GOCO), formado por instituições de pesquisa da Áustria, Alemanha e Suíça. O modelo foi descrito em um estudo publicado em 2021 na revista científica Earth System Science Data.
Segundo os pesquisadores, o GOCO06s reúne mais de um bilhão de observações realizadas durante 15 anos por 19 satélites. Entre eles estão os das missões GRACE, conduzida pela NASA em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), e GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA).
As duas missões empregam técnicas diferentes para medir o campo gravitacional. Enquanto os satélites gêmeos da GRACE monitoravam pequenas variações na distância entre si para detectar alterações na gravidade, o GOCE utilizava um gradiômetro capaz de medir mudanças no potencial gravitacional. O modelo também incorpora dados obtidos por rastreamento a laser de satélites a partir da Terra e informações sobre órbitas de outros equipamentos em baixa altitude.
De acordo com os autores, a combinação dessas diferentes técnicas permite compensar as limitações de cada método e produzir um retrato mais preciso do campo gravitacional médio da Terra e de suas variações ao longo do tempo, repercute a CNN Brasil.
Os pesquisadores destacam ainda que modelos como o GOCO06s têm aplicações importantes em áreas como oceanografia, estudos sobre tectônica de placas e na unificação dos sistemas internacionais de referência de altitude.
*Sob supervisão de Éric Moreira










