A descoberta de uma correspondência redigida a bordo do transatlântico mais famoso da história promete movimentar o mercado mundial de colecionadores. Uma rara carta manuscrita por um passageiro do Titanic,
escrita apenas cinco dias antes do trágico naufrágio de 1912, será leiloada com a expectativa de alcançar o valor de £35.000 (aproximadamente R$ 255.500,00).
O documento, assinado por Henry Price Hodges
, um passageiro da segunda classe que viajava para visitar parentes nos Estados Unidos, oferece o que especialistas descrevem como um retrato inestimável do cotidiano antes da colisão com o iceberg. Conforme informações divulgadas pelo veículo The Independent, o item histórico será colocado à venda neste domingo (26 de julho) na casa de leilões Henry Aldridge and Son, situada em Wiltshire.Cotidiano antes da tragédia
Datada de 10 de abril e com carimbo postal de Queenstown, a carta foi endereçada a um amigo do autor, Hector Young. No texto, Henry Price Hodges demonstra gratidão e descreve um cenário pacífico: "Muitos agradecimentos pelo telegrama e pelos bons desejos. Foi um ato gentil e atencioso e muito apreciado". Ele relata que a experiência era positiva, afirmando que "temos tido um tempo excelente até agora" e que, apesar da imensidão da embarcação, "você não vê nada do movimento do navio, mas o tempo está muito bom".
A rotina descrita pelo passageiro revela uma atmosfera vibrante. Henry escreveu que "no convés superior há cerca de 200 rapazes marchando e cantando, outros estão jogando dominó e cartas nos salões, alguns lendo, alguns escrevendo". Para ele, a vivência era surpreendente, pois "tudo é bem diferente do que se esperaria ver no mar". O custo de sua passagem, com o bilhete número 250643, foi de £13 (cerca de R$ 95,00), um valor considerável para a época.
Relíquia de valor histórico
O leiloeiro Andrew Aldridge, responsável pela venda do item, destaca que documentos escritos por passageiros da segunda classe estão entre os mais raros. Em entrevista ao veículo Independent, o especialista reforçou a importância do achado para a preservação da memória naval.
Segundo Andrew, "esta carta nos dá um instantâneo historicamente inestimável de como era a vida a bordo do navio mais famoso que já navegou para um passageiro de segunda classe". O especialista pontuou a ironia trágica do relato, pois pouco após descrever a paz no convés, o navio estaria no fundo do Atlântico Norte.
O destino do autor
O otimismo registrado nas linhas de Henry Price Hodges encerra-se com um cansaço: "Vou para a cama cedo, pois me sinto tão cansado quanto um cão morto". Infelizmente, ele foi uma das 1.500 vítimas do naufrágio ocorrido em 15 de abril de 1912.
Seu corpo foi posteriormente recuperado e sepultado no cemitério de Fairview, em Halifax, na Nova Escócia. Agora, mais de um século depois, suas últimas palavras escritas em papel tornam-se uma peça central para historiadores e entusiastas que buscam entender os momentos finais de normalidade na embarcação, antes de o Titanic se tornar o centro de um dos maiores desastres marítimos de todos os tempos.
*Sob supervisão de Éric Moreira













