“Ding Dong! The Witch Is Dead!”. Em abril de 2013, poucos dias após a morte de Margaret Thatcher, essa música do clássico The Wizard of Oz voltou às paradas britânicas e chegou ao 2º lugar. Não era nostalgia.
Era protesto.
Em algumas cidades e comunidades do Reino Unido, especialmente em regiões marcadas pelo desemprego e pelas políticas dos anos 1980, houve celebrações, festas e manifestações que tratavam sua morte como um acerto de contas histórico. Poucos líderes provocaram reações tão intensas, para o bem e para o mal.
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Mas afinal, quem foi Margaret Thatcher?
Nascida em 1925, na cidade de Grantham, filha de um comerciante local, Thatcher construiu uma trajetória política incomum. Estudou Química na Universidade de Oxford, onde já se envolveu com a política estudantil conservadora.
Depois, formou-se em Direito e seguiu carreira como advogada antes de entrar definitivamente na política. Em 1959, foi eleita deputada pelo Partido Conservador e, ao longo das décadas seguintes, consolidou sua posição até se tornar líder do partido em 1975.
Quatro anos depois, em 1979, venceu as eleições gerais e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Reino Unido. Seu governo, que durou até 1990, foi o mais longo do século 20 no país.
Thatcher implementou uma agenda econômica marcada por privatizações, desregulamentação, redução do papel do Estado e enfrentamento direto aos sindicatos.
Seu objetivo era combater a inflação, estimular o crescimento econômico e aumentar a autonomia do indivíduo frente ao Estado.
Para seus apoiadores, ela modernizou a economia britânica e rompeu com décadas de estagnação. Para seus críticos, suas políticas aumentaram o desemprego em setores industriais, enfraqueceram direitos trabalhistas e aprofundaram desigualdades sociais.
A Dama de Ferro
Um dos momentos mais emblemáticos de seu governo foi a greve dos mineiros, entre 1984 e 1985. Thatcher adotou uma postura firme, recusando negociações amplas e enfrentando o movimento sindical, o que resultou no enfraquecimento duradouro dos sindicatos no país.
Outro episódio altamente controverso foi a criação do “poll tax”, um imposto per capita que gerou protestos massivos e forte rejeição popular no final dos anos 1980.
No cenário internacional, Thatcher se destacou como uma figura central da Guerra Fria. Sua relação próxima com o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan simbolizou a aliança entre governos conservadores que defendiam o livre mercado e se opunham ao comunismo. Essa parceria fortaleceu seu papel global e consolidou sua imagem como uma líder de linha dura.
Em 1982, Thatcher liderou o Reino Unido na Guerra das Malvinas contra a Argentina. A vitória britânica teve um impacto importante na recuperação de sua popularidade, contribuindo para sua reeleição em 1983, embora outros fatores, como a divisão da oposição trabalhista, também tenham sido decisivos.
Apesar de sua força política, o final de seu governo foi marcado por desgaste interno. Suas posições rígidas, especialmente em relação à integração europeia, e a impopularidade do poll tax provocaram divisões dentro do próprio Partido Conservador.
Em 1990, após perder apoio suficiente dentro de sua base política, Thatcher foi pressionada a renunciar, encerrando um ciclo de mais de uma década no poder.
Legado dividido
Após deixar o cargo, continuou influente por alguns anos, sendo elevada à Câmara dos Lordes e recebendo o título de baronesa. Aos poucos, porém, afastou-se da vida pública, especialmente após problemas de saúde. Margaret Thatcher morreu em 8 de abril de 2013, em Londres, após sofrer um derrame.
Seu legado permanece profundamente dividido. Para alguns, Thatcher foi a líder que reformou a economia britânica e reposicionou o país no cenário global. Para outros, foi responsável por desmantelar políticas sociais, fragilizar o Estado de bem-estar e deixar cicatrizes profundas em comunidades inteiras.
Talvez o fato de sua morte ter sido, em certos contextos, celebrada nas ruas diga mais do que qualquer análise. Margaret Thatcher não foi apenas uma primeira-ministra. Foi um símbolo de um projeto político. E, como todo símbolo poderoso, continua sendo lembrada tanto com admiração quanto com ressentimento.












