Um novo estudo apresenta um método que combina lasers, geoquímica e ecologia marinha para ajudar a estimar a idade de um indivíduo de uma família de tubarões de forma mais precisa.
O estudo, publicado na
Marine Ecology Progress Series, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e de outras instituições da Oceania.
A equipe desenvolveu uma nova técnica capaz de estimar a idade de um tubarão a partir da composição química de suas vértebras. Para compreender os registros ambientais presentes no corpo dos tubarões ao longo de sua vida, eles utilizaram feixes de laser e análise de isótopos.
De acordo com a revista Galileu, atualmente, mais de um terço das espécies de tubarões estão ameaçados de extinção, o principal motivo seria a pesca em excesso e a falta de conhecimento sobre o ciclo de vida desses animais.
A revista também informou que a espécie usada no estudo foi o tubarão-dente-de-lança (Glyphis glyphis) e que restam menos de 2.500 indivíduos adultos na natureza.
Datação dos tubarões
Os pesquisadores costumam estimar a idade de vida desses animais através dos anéis claros e escuros presentes em sua vértebra. Cada faixa representa um ano de vida, mas essa suposição nem sempre era certeira.
O novo método usa a microquímica, usando técnicas como microfluorescência de raios X (micro-XRF) e espectrometria de massa com ablação a laser (LA-MC-ICP-MS). Os cientistas utilizaram esses métodos para analisar cálcio, potássio e estrôncio que foram incorporados nas vértebras ao longo do tempo.
Conforme o tubarão se desloca por diferentes locais, a sua estrutura óssea registra as mudanças químicas presentes em cada água e isso ajuda os especialistas a estimar a idade e reconstruir a trajetória do animal.
Além disso, é possível cruzar os dados geoquímicos com características do solo das regiões habitadas pelos tubarões a partir da relação entre a química de suas vértebras com os eventos ambientais.
No caso da espécie de tubarão usada no estudo, que vive em rios do norte da Austrália e da Papua-Nova Guiné, as variações na concentração de estrôncio nas vértebras acompanharam mudanças sazonais no ambiente. Isso revela que nem sempre as marcas presentes nas vértebras correspondem a ciclos anuais, o que desafia os estudos baseados em métodos tradicionais que são usados há séculos.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes












