Uma nova pesquisa sugere que o cérebro dos cachorros começou a diminuir de tamanho há pelo menos cerca de 5.000 anos. Além disso, os resultados podem oferecer novas perspectivas sobre a domesticação.
O
primeiro autor do estudo e pesquisador do Centro Nacional Francês de Investigação Científica, Dr. Thomas Cucchi , afirma que o modo como os nossos cães vivem hoje em dia não lhes dá a oportunidade de expressarem sempre a maior parte da sua inteligência.
Mas eles são extremamente inteligentes e a domesticação não os tornou estúpidos, mas sim capazes de nos ler e se comunicar conosco”.
Cérebro menor
Há muito tempo existe o debate sobre quando os cães começaram a ter o cérebro menor que o dos lobos, diversos especialistas sugerem que isso pode ter ocorrido no início da relação entre os humanos e os cachorros.
Apesar da redução cerebral dos cachorros ser considerada uma característica da domesticação, isso não significa que seja algo recente, visto que pesquisas genéticas mais antigas comprovam que a relação entre humanos e cachorros não surgiu agora. Existem evidências de cães domésticos datadas de mais de 15.000 anos atrás.
Muitos outros especialistas acreditam que essa diminuição não foi desencadeada pela relação dos humanos com os cachorros, mas sim pelo surgimento de raças de pedigree nos últimos 200 anos, repercutiu o The Guardian.
No artigo publicado no Royal Society Open Science, o autor do estudo e seus colegas analisaram tomografias computadorizadas de crânios lobos e cães pré-históricos e modernos.
Cerca de 22 lobos e cães pré-históricos, datados de 35.000 a 5.000 anos atrás e 59 lobos e 104 cães modernos, incluindo diversas raças.
Evidências
As tomografias computadorizadas foram utilizadas para rastrear a mudança do tamanho cerebral durante a história evolutiva dos cães. Os resultados mostraram que as raças de cães modernos, os dingos, os cães de aldeia e os cães do Neolítico Final tinham um cérebro de 32% menor que os lobos antigos e modernos.
Os cães do período Neolítico Final, aproximadamente 5.000 a 4.500 anos atrás, já possuíam o cérebro 46% menor do que os lobos do mesmo período. Em um estudo anterior, mostraram que, apesar do porte de ambos, o cérebro desses cães ainda eram consideravelmente menores que os dos lobos.
Os pesquisadores não encontraram evidências de que os cérebros dos protodogs, que viveram ao lado dos humanos há 35.000 e 15.000 anos, fossem menores que os dos lobos ancestrais. Na realidade, um dos cérebros analisados eram maiores, o que levantou a possibilidade de que o tamanho possa ter aumentado ainda nos estágios iniciais da domesticação.
Cucchi observou que as pesquisas relatam que a partir do momento em que o cérebro diminui, ele se reorganiza, mostrando que cães menores são menos treináveis e são mais cautelosos com mudanças em seu ambiente.
No entanto, ele também revelou que nas aldeias do neolítico os recursos alimentares eram limitados, o que acabava favorecendo cachorros menores com cérebro maiores, pois gastavam menos energia.
A especialista em cognição canina da Universidade de Portsmouth, Dra, Juliane Kaminski, revelou que a descoberta de que os protodogs não possuíam o cérebro menor do que de lobos é muito importante.
Eles ainda não apresentavam esse sinal de domesticação que pensávamos ser uma parte padrão dessa síndrome de domesticação”, afirmou.
Ela acredita que o estudo está sugerindo que a relação entre homem e cão pode ter se iniciado de forma superficial antes que um vínculo forte se estabelecesse.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli












