A trinitita, cristal que foi criado na primeira explosão nuclear do mundo, foi descoberta por cientistas em 1945. No entanto, especialistas afirmam que ele não deveria existir.
O cristal surgiu durante
a explosão do teste Trinity, que teve seu nome dado por Robert Oppenheimer, há mais de 80 anos. A explosão aconteceu no deserto Jornada del Muerto e foi considerada como o marco da Era Atômica.
O deserto foi escolhido para o teste porque acreditavam que não residiam moradores ao redor, mas, na verdade, havia milhares de pessoas em um raio de 64 quilômetros e algumas a cerca de 19 quilômetros de distância, informou o jornal Extra.
Segundo especialistas, se não fosse pela explosão nuclear, causada pelo Gadget, um dispositivo de implosão de plutônio, não seria possível esse mineral existir na Terra.
A trinitita
O geólogo da Universidade de Florença e líder de uma equipe de cientistas, Luca Bindi, explicou que condições extremas e transitórias produzidas por detonações nucleares podem gerar fases de estado sólido inacessíveis à síntese convencional.
[…] Relatamos a descoberta de um clatrato de silicato de cálcio e cobre tipo I, até então desconhecido, formado durante o teste nuclear Trinity de 1945; o primeiro clatrato confirmado cristalograficamente identificado entre os produtos de uma explosão nuclear… A explosão impressionante foi equivalente a 21 quilotons de TNT”, finalizou.
A explosão do teste Trinity, que aconteceu em 16 de julho de 1945, vaporizou a torre de testes, que tinha 30 metros, e a infraestrutura de cobre ao redor. A bola de fogo da explosão absorvia tudo que estava na sua frente, fundindo a torre e o cobre com o asfalto e a areia do deserto próximo.
Os materiais se transformaram em uma substância vítrea, que os especialistas deram o nome trinitita. Dentro do cristal foram encontradas estruturas desconcertantes.
O cristal
Luca Bindi e sua equipe encontraram um quasicristal, em 2021, em sua forma vermelha, que é rara, ele é composto por metal da torre, cabos e até por dispositivos de gravação.
Outra coisa intrigante foi observada nessa variante da trinitita, um clatrato recém-descoberto, um metal cristalino composto por átomos dispostos em uma estrutura semelhante a uma gaiola.
Segundo o jornal Extra, essa estrutura é capaz de aprisionar outros átomos em seu interior.
Os átomos se alinham em um padrão preciso e repetitivo para a formação de um cristal, mas, na maioria das vezes, ele só se forma em condições estáveis e no decorrer de longo tempo.
Os clatratos inorgânicos, um tipo raro, só é formado em condições específicas e dificilmente é encontrado na natureza. Na explosão nuclear, essa condição específica surgiu depois que as temperaturas ultrapassaram os 1.500 °C e as pressões se acumularam antes de colapsarem.
Com o resfriamento rápido, os átomos presentes na teinitina foram forçados a assumir novas e estranhas configurações, o que fez com que eles ficassem presos no lugar, dando origem a estruturas raras que não se formariam na natureza.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli












