Recentemente, cientistas analisaram dados oceanográficos de mais de 40 anos e puderam prever que uma massa de águas quentes das profundezas está chegando à Antártida.
Conforme o estudo lançado na revista
Communications Earth & Environment, essa massa apresenta uma ameaça potencial às plataformas de gelo que rodeiam o continente antártico. Ainda, diante da potencialidade do caso, cientistas apontam para mudanças em toda a temperatura global .
40 anos de dados
Primeiramente, é necessário compreender que todo o estudo e análise só foi possível graças ao avanço tecnológico e a organização de bases de dados em centros de interpretação.
Ou seja, o abandono das descrições imprecisas do século passado, em que descrições visuais eram feitas, e a utilização de mecanismos flutuadores autônomos do programa Argo, fez com que interpretações mais precisas e constantes viessem à tona.
Da mesma forma, esse programa consegue captar a força e a temperatura das massas de água, fornecendo informações constantes sobre as massas do ártico das camadas superiores.
Ainda, a implementação de tecnologias como o Machine Learning (ou Aprendizado de Máquina), essas vastas bases de dados proporcionada pelo Argos puderam ser interpretadas em sua linearidade e variedade. Por exemplo, os pesquisadores conseguiram sintetizar 40 anos de mudanças nas variações mensais.
As mudanças climáticas
Contudo, essa nova abordagem possibilitou, mais do que outras coisas, enxergar as mudanças na estrutura térmica do oceano conforme o avanço das mudanças climáticas. Características que antes passavam despercebidas, agora se mostram diante de nossos dados e olhos.
Conforme a revista Galileu, a pesquisadora e professora, Sarah Purkey, coautora do estudo, explica:
No passado, as calotas polares eram protegidas por uma camada de água fria, o que impedia seu derretimento. Agora, parece que a circulação oceânica mudou, e é quase como se alguém tivesse aberto a torneira de água quente”.
No entanto, vale ressaltar que o derretimento e desestabilização da Antártida pode causar riscos muito sérios para nosso planeta e a temperatura dele. Uma vez que os oceanos são responsáveis pela absorção de 90% do calor adicional gerado pelo aquecimento global.
Ainda, dentre as águas marinhas que têm essa função, o Oceano Antártico é reconhecido por um papel ainda mais fundamental, o de resfriar as águas. Porém, as alterações na distribuição de calor do sistema da Antártida pode afetar as grandes correntes oceânicas do planeta.
Essas são responsáveis pelo resfriamento, umidificação e até alimentação de povos do mundo todo. Os cientistas apontam que é necessário maior monitoramento e medidas para frear as mudanças climáticas, senão sentiremos os efeitos de maneira ainda mais intensa.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes












