Uma investigação genética e osteológica lançou luz sobre uma sepultura de 1.200 anos descoberta no cemitério de Čunkāni-Dreņģeri, localizado no entorno do Golfo de Riga, no Báltico Oriental.
O estudo revelou
que os restos mortais de seis indivíduos — quatro homens, um menino e uma menina — enterrados no mesmo local pertenciam a habitantes locais mortos simultaneamente, com pelo menos três dos homens apresentando traumatismos letais provocados por armas cortantes.
A pesquisa, publicada na edição de setembro do Journal of Archaeological Science: Reports, associou a datação do sepultamento à segunda metade do século 9, período correspondente à fase inicial da Era Viking. O achado levanta a hipótese de que o grupo tenha perecido durante uma incursão de saqueadores escandinavos.
A coautora da pesquisa e arqueóloga da Universidade da Letônia, Elīna Pētersone-Gordina, pontuou as incertezas e evidências sobre a causa do evento. "Nunca saberemos se foram mortos em um ataque, mas essa possibilidade permanece devido à data da sepultura" e ao trauma fatal sofrido por três dos homens, afirmou em e-mail ao Live Science.
Estrutura familiar e marcas de violência brutal
As análises de DNA antigo confirmaram que todos os indivíduos possuíam ascendência indígena báltica. Os testes genéticos estabeleceram conexões de parentesco entre parte dos sepultados: o menino era filho de um dos homens adultos, enquanto outro homem foi identificado como parente de terceiro grau — possivelmente um primo em primeiro grau ou tio-avô.
Por limitações na extração do material genético, não foi possível determinar o grau de parentesco da menina. Os outros dois homens sepultados na tumba não apresentavam laços genéticos diretos com a família, repercute o Live Science.
Análises paleopatológicas nos esqueletos evidenciaram a gravidade dos confrontos físicos sofridos pelas vítimas. Um dos homens apresentava lesões defensivas registradas no antebraço e na mão. Um segundo indivíduo teve a mandíbula fraturada por um impacto direto, enquanto o terceiro sofreu um golpe profundo que quase resultou na sua decapitação.
Sobre as outras três pessoas — o quarto homem e as duas crianças —, os cientistas não identificaram marcas ósseas conclusivas, sugerindo a possibilidade de mortes causadas por ferimentos em tecidos moles.
Identidade regional e costumes funerários
A sepultura integra o cemitério de Čunkāni-Dreņģeri, sítio arqueológico descoberto em 1924 que abriga sepulcros datados entre os séculos 7 e 11, período referente à Idade do Ferro na Letônia. Pētersone-Gordina explicou à Live Science por e-mail que "eles provavelmente eram moradores locais".
A análise genômica associou os mortos aos semigalianos, povo indígena báltico que se dedicava à agricultura nas planícies férteis da região. No século 9, o território letão não fazia parte do domínio escandinavo, mas mantinha contato e proximidade geográfica com as rotas marítimas dos povos nórdicos.
Apesar da morte violenta simultânea, o sepultamento não foi caracterizado como uma vala comum improvisada. Os corpos foram organizados respeitando as tradições locais: a única mulher do grupo foi posicionada com a cabeça voltada para o noroeste, ao passo que os homens foram dispostos em fila lateral com a cabeça direcionada para o sudeste, acompanhados por objetos funerários tradicionais.
A preservação e o cuidado no ritual indicam que as vítimas eram membros respeitados pela comunidade. A presença de invasores escandinavos no Báltico Oriental na mesma época é respaldada por descobertas prévias, como os sepultamentos em barcos datados de cerca de 750 achados na ilha de Saaremaa, na Estônia, contendo restos mortais com lesões de combate.
Comentando sobre o estudo, o antropólogo e arqueólogo Rimantas Jankauskas, da Universidade de Vilnius, na Lituânia — que não participou da pesquisa —, destacou que os indivíduos podem ter perecido tanto em conflitos internos quanto em uma incursão viking.
Além disso, Jankauskas destacou que a análise oferece novos elementos sobre a organização social dos semigalianos no período, indicando o surgimento de uma estrutura aristocrática refletida no rigor do ritual funerário.











