Primeiro campeão olímpico brasileiro na natação e detentor de vários recordes de nado livre, o atleta Cesar Cielo sempre conviveu com um adversário invisível:
a asma.
Filho de um pediatra também asmático, ele sempre seguiu o tratamento a risca para que conseguisse conquistar os melhores resultados em competições mundiais. E, para ajudar na conscientização sobre esta e outras doenças respiratórias, o nadador se tornou embaixador da campanha A Saúde Está no Ar: Cada Respiração Importa, organizada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
"Consegui chegar aos maiores sonhos que um atleta pode chegar sendo asmático, e a mensagem é, quando você pratica atividade física e faz o tratamento adequado, a sua vida vai ser compatível com qualquer sonho que você tenha", afirma Cielo, que participou do evento de lançamento da campanha em São Paulo, nesta terça-feira (5), que também é Dia Mundial da Asma.
A seguir, confira algumas lições do nadador sobre como contornar os incômodos e riscos da doença no dia a dia — e o que os médicos pensam sobre isso.
1. Faça atividade física (com acompanhamento)
"O esporte transformou a minha vida", celebra Cielo. E pode ser uma peça fundamental para a saúde de outros pacientes também.
Segundo o atleta, cidades que trabalham em parceria com o Instituto Cesar Cielo, como Valinhos e Itajaí, tem registrado menores índices de atendimento por problemas respiratórios. "A gente sabe que os postos de saúde próximos às piscinas onde atuamos tiveram uma redução drástica de atendimentos depois que os nossos trabalhos começaram", conta.
"A ciência já comprovou que há duas coisas que aumentam a expectativa de vida em, no mínimo, cinco anos: se alimentar bem e fazer atividades física desde a infância", complementa Emilio Pizzichini, coordenador da comissão de asma da SBPT.
Segundo os médicos, o importante é que quem tenha problemas pulmonares seja bem acompanhada para ter condições de incluir os exercícios na rotina, sem riscos. "A função do médico é torná-la apta a fazer o esporte, com atenção ao diagnóstico, ao tratamento e à evolução da doença", considera Ricardo de Amorim Corrêa, presidente da SBPT.
O pneumologista também ressalta que qualquer atividade física feita com o devido acompanhamento pode trazer benefício para o controle da asma, não apenas a natação. "A natação pode, inclusive, piorar sintomas e atacar a rinite de alguns pacientes por causa da presença de cloro na água", pondera Corrêa.
Além da melhora na capacidade pulmonar, a atividade física também é essencial para a manutenção dos músculos, que são um indicativo positivo de qualidade e expectativa de vida.
2. Capriche na organização
A asma é uma doença crônica, ou seja, que não tem cura e que vai acompanhar o paciente para o resto da vida. Mas há controle! Com o uso adequado de medicamentos e a adesão de bons hábitos de vida, é possível evitar crises e ter uma boa qualidade de vida.
Para isso, é preciso ter um dia a dia regrado e não abandonar o tratamento, com consultas regulares para possíveis ajustes. "É muito fácil ser regrado quando se é atleta. Você acorda, come, treina tudo direitinho. Então, sempre fiz o tratamento direito", conta Cielo.
No entanto, após a aposentadoria das piscinas, o nadador admite que passou a deixar as medicações em segundo plano. E aí começaram a aparecer as consequências: mesmo depois de tantos anos de experiência, o atleta se pega perdendo o fôlego quando esquece as medicações — e "passa vergonha na frente do amigos", contou no evento.
Uma vez, durante uma competiçã , o atleta, que não parava para respirar enquanto nadava, emergiu duas vezes para tomar um ar porque havia esquecido da medicação durante a viagem. "Esse tipo de coisa é algo que pode te prejudicar nas provas. Ainda bem que o médico da equipe tinha uma reserva e consegui me recuperar", lembra.
Os médicos ressaltam que o acesso aos medicamentos ainda é um desafio aos pacientes brasileiros, e a falta dos remédios no Sistema Único de Saúde (SUS) compromete a evolução de grande parte das pessoas que convivem com asma.
"Temos um novo PCDT [Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica] para asma, mas o Brasil ainda não conseguiu implementá-lo, o que prejudica especialmente, aqueles que tem asma grave e precisam de doses regulares", afirma Pizzichini.
3. Tenha uma rede de apoio
Você provavelmente não tem uma equipe preparada como um atleta olímpico, mas é importante que tenha familiares e amigos que saibam sobre a sua condição e tenham condições de socorrer em caso de crises. Não hesite em falar sobre o problema.












