A profissional de educação física e influenciadora digital Carol Borba revelou recentemente, durante sua participação no videocast "PodShape", que adiciona
suplementos de proteína, conhecidos como whey protein, e creatina, à rotina alimentar da sua filha de três anos.
"A mamadeira da minha filha antes de dormir é leite com whey", afirmou.
O whey é um tipo de suplemento derivado da proteína do soro do leite, queridinho no meio fitness por ajudar no ganho de massa muscular — especialmente quando há necessidade de aumentar a ingestão proteica para favorecer a hipertrofia.
Durante a entrevista, Borba também contou que, por diversas vezes, quando prepara os seus shakes, a filha entra na fila.
"E aí, a a internet cai matando em cima de mim. Eu dou whey e dou creatina para ela; já pesquisei e já me falaram...", comentou.
O podcast em questão, voltado ao universo das academias e da musculação, é apresentado pela modelo Juliana Salimeni e o empresário Diogo Basaglia. No diálogo com Borba, os apresentadores apoiaram a medida.
"Ela tem o exemplo em casa, dos pais que seguem alimentação saudável, e isso é a melhor coisa. Ela já vai ter mais facilidade depois, na vida".
Juliana também rebateu críticas: “Eles acham que você está errada em fazer isso, mas estaria certa se tivesse dado chocolate, achocolatado em pó, né?”, comentou.
Borba ainda revelou que a filha, inclusive, pede para tomar os suplementos: “ela pede creatina, porque me vê tomando. Aí, ela fala: ‘Mãe, dá um pouquinho da sua catina'. E eu dou”, contou.
Mas, afinal, é seguro oferecer esses suplementos para crianças? E quais seriam as vantagens? VEJA SAÚDE conversou com autoridades e especialistas para esclarecer o tema.
O que diz a Sociedade Brasileira de Pediatria
Fabíola Suano, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, crava: "não é seguro nem indicado oferecer suplementos como whey protein ou creatina para crianças pequenas saudáveis", diz.
Isso porque, em primeiro lugar, o whey é considerado um alimento ultraprocessado, formulado a partir da proteína do soro do leite.
Frequentemente, ele é associado a aditivos como aromatizantes, edulcorantes (adoçantes), emulsificantes e outros ingredientes que não são recomendados para ingestão nessa faixa etária.
A creatina, por sua vez, é um composto produzido naturalmente pelo organismo a partir de aminoácidos (arginina, glicina e metionina) e também pode ser obtida por meio de alimentos como carnes e peixes.
"Crianças saudáveis não necessitam de doses adicionais dessa substância", diz Suano.
Segundo a especialista, nessa fase da vida, marcada por intenso crescimento e desenvolvimento, a prioridade deve ser uma alimentação variada, equilibrada e baseada em alimentos in natura, como frutas e legumes, ou minimamente processados.
Assim, suplementos só devem ser utilizados em situações clínicas específicas e com indicação e acompanhamento de profissionais de saúde.
A nutricionista infatojuvenil Simone Medeiros também reforça que o uso sem necessidade pode gerar excessos, substituir alimentos importantes e passar a mensagem equivocada de que suplemento é essencial para crescer ou ser saudável. "O foco nessa fase deve estar na construção de bons hábitos alimentares", diz.
Como whey e creatina podem afetar as crianças?
Em crianças, o uso de suplementos como proteínas em pó e outros pode levar a uma ingestão muito acima das necessidades diárias, mesmo quando utilizados em pequenas quantidades.
"Esse excesso pode representar uma sobrecarga desnecessária para rins e fígado, além de favorecer desequilíbrios nutricionais ao substituir alimentos importantes da rotina alimentar", destaca Suano.
Medeiros aponta que também há o risco de desconfortos gastrointestinais, como náuseas, distensão abdominal, constipação ou diarreia, dependendo da composição do produto.
Outro ponto de atenção, segundo Suano, é que o uso desses compostos pode reforçar uma relação inadequada com a alimentação, baseada em promessas de desempenho ou crescimento acelerado, sem respaldo para essa faixa etária.
O que dizem estudos sobre whey para crianças?
Quando pode ser indicado?
Segundo as especialistas, o uso dos suplementos de proteína pode ser considerado em situações clínicas específicas, nas quais a alimentação habitual não consegue suprir adequadamente as necessidades nutricionais.
Isso pode ocorrer, por exemplo, em casos de desnutrição, síndromes de má absorção intestinal, algumas doenças crônicas, condições que aumentam a demanda metabólica ou em determinados erros inatos do metabolismo.
Nesses cenários, a suplementação faz parte de uma estratégia terapêutica mais ampla e deve ser prescrita e monitorada por equipe de saúde, com acompanhamento médico e nutricional rigorosos.
"Mesmo assim, a decisão deve ser individualizada, com avaliação do consumo alimentar, crescimento, exames quando necessário", pondera Medeiros.
A diferença entre proteína do whey e da alimentação
A proteína presente nos suplementos geralmente é extraída de uma única fonte alimentar. O whey protein, por exemplo, é derivado do soro do leite.
Por isso, esse produtos tendem a oferecer um perfil de aminoácidos mais limitado e concentrado em comparação com a alimentação habitual.
Além disso, como destaca Medeiros, a proteína dos alimentos vem junto com outros nutrientes importantes: ferro, zinco, vitaminas, gorduras e fibras, além de oferecer diferentes texturas, sabores, experiências alimentares e, até, treino de mastigação.
"Carne, ovos, leite, feijões, iogurte, peixe e frango, por exemplo, não entregam apenas proteína; eles participam da formação de hábitos alimentares e do desenvolvimento da criança", diz.
De acordo com Suano, essa variedade contribui para o adequado crescimento e desenvolvimento da criança, respeitando suas necessidades nutricionais sem sobrecargas desnecessárias aos órgãos e sistemas.
"O suplemento entrega uma proteína isolada ou concentrada, com pouca ou nenhuma experiência alimentar. Por isso, para crianças, sempre que possível, a prioridade deve ser atingir as necessidades pela alimentação", finaliza Medeiros.













