1 hora, 59 minutos e 30 segundos. Com essa marca, o queniano Sabastian Sawe quebrou o recorde mundial da maratona no último domingo, 26, ao vencer a tradicional
prova de Londres.
Ao completar o percurso de mais de 42 km em menos de 2 horas, o atleta entrou para a história das proezas do esporte e do corpo humano.
A corrida foi disputada e, em boa parte do trajeto, Sawe ficou lado a lado com o segundo colocado, o etíope Yomif Kejelcha, que também finalizou a prova em menos de 2 horas.
O trunfo logo levantou a questão: o que um ser humano tem de especial para superar seus limites e a linha de chegada de uma maratona em tão pouco tempo?
"Essa marca mostra que a máquina do corpo humano continua em evolução, assim como os métodos de treinamento, as estratégias de recuperação e os equipamentos esportivos. Porém, o maior diferencial é de onde vem esses corredores", analisa o educador físico Diego Leite de Barros, especialista em fisiologia do exercício.
"Todos os principais recordistas da atualidade são da Etiópia ou do Quênia. E isso não é uma coincidência", crava.
Barros comenta que os maiores maratonistas da história recente vêm de uma região montanhosa no leste da África, o Vale do Rift. "Eles vivem numa altitude que passa dos 2 mil metros, o que favorece a maior concentração de hemoglobina no sangue e, consequentemente, um transporte de oxigênio no corpo com mais eficiência."
O especialista aponta que os atletas quenianos e etíopes que nascem e treinam nessa região também contam com adaptações fisiológicas que vêm sendo transmitidas ao longo de gerações. "Eles têm pernas mais finas e longas, fibras musculares mais resistentes, baixo percentual de gordura, além de alta capacidade de absorção de oxigênio, o famoso VO2 máximo", explica Barros.
O fisiologista lembra que, nessas áreas da África, muitas vezes a corrida é a principal forma de ascensão social, o que faz muitos garotos e garotas se exercitarem desde cedo no esporte. Ou seja, há trabalho duro nos bastidores.
Claro que a tecnologia e a ciência do esporte também fornecem vantagens ao maratonista moderno. "Os tênis mais leves auxiliam na propulsão do corredor, enquanto novas abordagens de suplementação, antes, durante e depois das provas, assim como técnicas de recuperação entre os treinos, auxiliam a quebrar recordes", observa o professor.
Mas a origem de atletas como Sabastian Sawe já pode ser considerada meio caminho andado para a medalha.
"Para ser um recordista mundial da maratona, você precisa fazer parte desse seleto grupo de africanos nascidos no Vale do Rift", diz Barros.












