As bebidas energéticas ganharam espaço no cotidiano de milhões de brasileiros, especialmente entre jovens e frequentadores de baladas, mas também entre trabalhadores
e estudantes que buscam aumentar o estado de alerta ou combater o cansaço.
Um estudo divulgado pela Kantar, empresa especializada em pesquisas de mercado, apontou que em 2024 as bebidas energéticas estavam presentes em 38% dos domicílios, além de serem consumidas fora de casa por 22% de brasileiros, particularmente jovens de até 29 anos das classes C, D e E.
O que nem todos sabem é que essa forma simples e saborosa de se sentir desperto e com mais "pique" pode implicar riscos à saúde, principalmente se o consumo for excessivo.
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Esses produtos combinam diferentes substâncias estimulantes, como a cafeína, responsável pela maior parte dos efeitos que os energéticos causam no organismo, por atuar diretamente no sistema nervoso central.
Outros componentes comuns incluem a taurina, que funciona como modulador no sistema nervoso central, embora seus efeitos isolados ainda não sejam totalmente esclarecidos; e o guaraná, uma fonte natural de cafeína.
Embora todas essas substâncias aumentem o estado de alerta, é a cafeína que oferece os maiores riscos. Para adultos saudáveis, o consumo máximo recomendado é de até 400 mg por dia.
Acontece que, nesse cálculo, devem ser incluídas todas as fontes de cafeína consumidas ao longo do período, como café, chocolate, chás (preto, mate e verde) e refrigerantes de cola.
Acima desse limite diário, podem surgir efeitos adversos, como insônia, ansiedade, tremores, palpitações, dores no peito, tontura, aumento da pressão arterial e, em casos mais graves, arritmias cardíacas.
Um dos quadros mais preocupantes é a fibrilação atrial, caracterizada por batimentos fora do ritmo normal, que pode evoluir para complicações sérias, como tromboembolismo e até acidente vascular cerebral (AVC).
Como observa Priscila Barsanti, gerente do Serviço de Nutrição do Einstein, considerando que uma única lata de energético pode ter até 150 mg de cafeína e três xícaras de café somam cerca de 300 mg, o limite de 400 mg/dia pode ser facilmente ultrapassado.
Alguns grupos são particularmente vulneráveis aos efeitos dos energéticos. Por exemplo, idosos tendem a apresentar maior sensibilidade cardiovascular, enquanto entre gestantes o consumo excessivo de cafeína está associado a maior risco de complicações na gravidez.
Já para crianças e adolescentes, essas bebidas não são consideradas seguras, justamente pelos impactos no sistema cardiovascular e sistema nervoso central ainda em desenvolvimento.
Além disso, como destaca Diogo Toledo, nutrólogo e coordenador da pós-graduação de Nutrologia do Einstein, a resposta à cafeína varia muito de pessoa para pessoa.
Fatores genéticos, a forma como o fígado metaboliza a substância e a presença de transtornos como ansiedade ou insônia influenciam diretamente essa sensibilidade. Há indivíduos que apresentam efeitos intensos mesmo com doses relativamente pequenas.
Nos últimos anos, observa-se ainda o aumento da ingestão de uma combinação que exige atenção redobrada: bebidas energéticas misturadas com bebidas alcoólicas.
A cafeína pode mascarar os efeitos do álcool, reduzindo a percepção de embriaguez, o que favorece o consumo excessivo e aumenta o risco de comportamentos perigosos, além de sobrecarregar ainda mais o coração.
Diante desses riscos, os energéticos são regulamentados no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece limites para os ingredientes e exige advertências claras nos rótulos.
Entre elas, a recomendação de que crianças, gestantes, nutrizes, idosos e pessoas com enfermidades consultem um médico antes do consumo.
Para quem não está nesses grupos mais vulneráveis, a recomendação para aproveitar apenas os efeitos desejados das bebidas energéticas e evitar os indesejados é simples: informação e moderação no consumo.













