Vacinação não é papo só para crianças e adolescentes. Adultos também precisam estar imunizados para evitar infecções e complicações que podem acompanhá-los
por toda a vida.
E a lista de picadas para quem já passou dos 20 é extensa.
"Às vezes as pessoas lembram que precisam tomar a vacina antitetânica a cada 10 anos, mas a imunização na fase adulta é muito mais ampla — e essencial principalmente para quem faz parte de algum grupo de risco, como gestantes e idosos", alerta Múcio Tavares, cardiologista e representante do Departamento de Vacinas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Picadas contra a gripe, herpes-zóster, doença pneumocócica e vírus sincicial respiratório, por exemplo, estão entre as recomendadas para maiores de idade — cada uma com seu esquema vacinal, que é orientado por entidades médicas e governamentais.
"É preciso que a vacinação seja um tema mais presente nas consulta, não apenas pelo pediatra ou imunologista, mas por ginecologistas, cardiologistas, hepatologistas, oncologistas... todo o corpo se beneficia da imunização", ressalta Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Segundo a imunologista Lorena de Castro Diniz, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), vacinar-se é uma forma de garantir longevidade com saúde.
"Hoje, com o avanço na medicina e terapias para tratamento de diversas doenças crônicas que acometem os idosos, o que leva a morte, muitas vezes, são as infecções que pessoas com comorbidades acabam contraindo", explica.
Ao que indicam novos estudos, as vacinas podem nos proteger de problemas de saúde que vão além das infecções causadas por vírus e bactérias.
Segundo pesquisas, elas reduzem também o risco de doenças crônicas, como o Alzheimer, infarto, AVC e até alguns tipos de câncer.
Aliás, os novos conhecimentos sobre os benefícios dos imunizantes são o tema da reportagem de capa da VEJA SAÚDE em maio (edição 527).
Anualmente, a SBIm divulga tabelas que facilitam a organização das vacinas que devem ser tomadas em todas as idades.
Você pode conferi-las no site da sociedade médica e levá-las na sua próxima consulta para checar como completar a carteira de acordo com a sua idade e, se houver, comorbidades.
Abaixo, transformamos em lista as vacinas que você e a sua família precisam tomar para proteger a saúde dos 20 em diante, incluindo fases como a gestação e velhice.
1. Dupla ou tríplice bacteriana (dTpa ou dT)
Para que serve? A dupla protege contra a difteria e o tétano. A tripla evita também a coqueluche.
Esquema e recomendação: O reforço deve ser feito a cada dez anos. Caso o indivíduo não tenha sido vacinado na infância ou não tenha comprovante de vacinação, ele deve receber três doses neste esquema:
- uma dose de dTpa;
- dois meses depois, uma dose de dT;
- de 4 a 8 meses após a primeira picada, uma última dose de dT.
Grávidas têm esquemas próprios, mas devem tomar ao menos uma dose a partir da 20ª semana de gestação. Para entender como deve ser o esquema, é importante consultar um médico.
Além disso, para quem pretende viajar para países nos quais a poliomielite é endêmica (como Afeganistão e Paquistão), recomenda-se que a vacina dTpa seja combinada à pólio inativada (chamada de dTpa-VIP). A dTpa-VIP pode substituir a dTpa.
Disponível no SUS? A dT e dTpa está disponível na rede pública para gestantes, puérperas e profissionais da saúde. Serviços privados oferecem dTpa e dTpa-VIP.
2. Influenza (gripe)
Para que serve? Contra a gripe.
Esquema e recomendação: Toda a população adulta deve se vacinar com dose única anual. A depender da situação e dos fatores de risco de cada indivíduo, o médico pode até indicar uma segunda dose, dada a partir de três meses após a primeira picada.
Idosos devem tomar, preferencialmente, a vacina contra gripe de alta dose (disponível apenas na rede privada), mas na ausência desta, podem se imunizar com a trivalente ou tetravalente. O importante é estar com a carteirinha em dia.
Disponível no SUS? Sim, para toda a população a partir de seis meses de idade está disponível a vacina trivalente (outra três cepas do vírus influenza). No particular, há também a tetravalente.
3. Pneumocócicas
Para que serve? Protegem contra vários sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, prevenindo doenças graves como pneumonia, meningite, sinusite e otite.
Esquema e recomendação: a vacinação deve ser rotina a partir dos 50 anos de idade. A dose da VPC20 (vacina pneumocócica contra 20 sorotipos) é única.
Para portadores de algumas comorbidades, a dose pode ser adiantada mediante avaliação médica.
Disponível no SUS? A VPC13 (contra 13 sorotipos) está disponível no SUS em Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE) para algumas indicações. Nos CRIE, também há a VPP23 (contra 23 tipos) para grupos de risco e como rotina para asilados e institucionalizados.
A VPC20 está disponível em serviços privados.
4. Herpes-zóster
Para que serve? Contra a herpes-zóster, doença causada pela reativação do vírus da catapora.
Esquema e recomendação: É rotina a partir dos 50 anos e deve ser tomada em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas.
Disponível no SUS? Não, só é encontrada em farmácias e clínicas privadas.
5. Tríplice viral
Para que serve? Contra sarampo, caxumba e rubéola.
Esquema e recomendação: Necessária apenas para pessoas que não tomaram na infância. Nesse caso, são dadas duas doses, com intervalo mínimo de um mês entre elas.
“Para adultos com esquema completo, não há evidências que justifiquem uma terceira dose como rotina, podendo ser considerada em situações de risco epidemiológico, como surtos de caxumba e/ou sarampo”, determina a SBIm no documento sobre a vacinação de adultos.
Se você tem imunossupressão, consulte o seu médico para verificar a indicação. Também pode ser considerada a vacina combinada tetraviral (SCRV, que protege também contra a catapora).
Disponível no SUS? Sim, duas doses até 29 anos e uma dose entre 30 e 59 anos. Também disponível no sistema privado.
6. Varicela
Para que serve? Contra a catapora.
Esquema e recomendação: Para grupos vulneráveis, duas doses com intervalo de um a dois meses. Pode ser considerada a aplicação da vacina combinada tetraviral.
Pessoas com imunossupressão precisam passar por avaliação médica.
Disponível no SUS? Não, apenas na rede privada.
7. Hepatites A e B
Para que serve? Protege contra hepatite A e B.
Esquema e recomendação: Quem não foi vacinado na infância ou não tem como comprovar a vacinação deve realizar algum desses esquemas:
- Hepatite A: duas doses, com intervalo de seis meses.
- Hepatite B: três doses, no esquema 0-1-6 meses
- Vacina combinada de hepatite A e B: três doses, também no esquema 0-1-6 meses.
Gestantes não imunizadas devem tomar as três doses da vacina contra a hepatite B o mais rápido possível, para evitar transmissão vertical caso tenham contraído a doença.
Disponível no SUS? Apenas a vacina contra a hepatite B está disponível no sistema publico. As vacinas contra a hepatite A e a combinada podem ser administradas na rede privada.
8. HPV
Para que serve? Protege contra verrugas genitais e cânceres causado por vários tipos de papilomavírus humano (HPV). Entre os tumores prevenidos estão os de colo do útero, vagina, vulva, pênis, ânus e orofaringe.
Esquema e recomendação: Há duas vacinas no Brasil, a quadrivalente (HPV4) e a nonavalente (HPV9)
“A SBIm, com o intuito de ampliar a proteção para os tipos adicionais, recomenda, sempre que possível, o uso preferencial da vacina HPV9 em três doses, assim como a revacinação daqueles anteriormente vacinados com HPV2 ou HPV4”, orienta a sociedade médica.
É recomendada a homens e mulheres adultos até os 45 anos com esquema de três doses: a segunda é dada em um intervalo de um a dois meses e a terceira com intervalo de seis meses (em relação à primeira).
Disponível no SUS? Para adultos, a vacina quadrivalente está disponível nas unidades básicas de saúde apenas para alguns grupos de risco (como mulheres com lesões pré-cancerosas, usuários de PrEP ou PEP, imunossuprimidos, vítimas de abuso sexual etc).
A população que não se encaixar nos critérios deve se vacinar pela rede privada.
9. Meningocócicas conjugadas ACWY ou C
Para que serve? Previne meningites causadas pelas bactérias Neisseria meningitidis dos tipos A, C, W e Y.
Esquema e recomendação: A indicação para adultos dependerá da situação epidemiológica (se há surtos da doença acontecendo). É dada em dose única.
Disponível no SUS? Não, apenas para crianças. Adultos podem tomar na rede privada.
10. Meningocócica B
Para que serve? Protege contra a meningite causada pela bactéria Neisseria meningitidis do sorogrupo B.
Esquema e recomendação: A indicação para adultos também dependerá da situação epidemiológica. São dadas duas doses com intervalo mínimo de 1 mês. “Não se conhece a duração da proteção conferida e, consequentemente, a necessidade de dose(s) de reforço”, afirma a SBIm.
Disponível no SUS? Não está disponível no SUS nem para crianças. Todos que tenham indicação para tomar devem recorrer à rede privada.
11. Febre amarela
Para que serve? Previne contra a febre amarela, doença causada por flavivirus, transmitida por picadas de mosquitos.
Esquema e recomendação: O Programa Nacional de Imunizações (PNI) orienta que, se o indivíduo recebeu a primeira dose antes dos 5 anos, seja aplicada uma segunda dose independentemente da idade atual. Se a pessoa tomou a vacina a partir dos 5 anos de idade, a dose é única.
Já a SBIm recomenda que seja feitas duas doses. “Como há possibilidade de falha vacinal, está recomendada uma segunda dose com intervalo de 10 anos”, explica a sociedade.
A vacina contra febre amarela é obrigatória para quem vai viajar para áreas endêmicas (como parte da América do Sul e Central, África e Ásia) e que exijam Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP). Deve ser aplicada até dez dias antes de viajar.
Disponível no SUS? Sim, bem como na rede privada.
12. Dengue
Para que serve? Prevenção da dengue, causada por vírus transmitidos pela fêmea do mosquito Aedes aegypti.
Esquema e recomendação: Há dois imunizantes aprovados no Brasil para pessoas que tiveram ou não algum episódio da doença. A Qdenga, da farmacêutica Takeda, é dada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas, para pessoas de 4 a 60 anos.
A Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, será distribuída pelo SUS para quem tem de 12 a 59 anos. É de dose única.
Disponível no SUS? Apenas a Butantan-DV, por enquanto para profissionais de saúde e pessoas com 59 anos.
13. Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
Para que serve? Protege contra o VSR, causador da bronquiolite em bebês e de pneumonia em idosos
Esquema e recomendação: Dose única deve ser aplicada a partir dos 60 anos, caso a pessoa tenha algum desses fatores de risco: cardiopatia, pneumopatia, diabetes, obesidade, nefropatia, hepatopatia, imunossupressão, esteja fragilizada, acamadas ou seja residentes em instituições de longa permanência.
A partir dos 70 anos, independente de fatores de risco, a dose deve ser dada como rotina.
Uma das vacinas disponíveis contra o vírus, chamada Abrysvo, da Pfizer, também é indicada para gestantes de qualquer idade, a partir da 28ª semana de gravidez.
Os anticorpos produzidos pela mãe são passado ao bebê, que nasce protegido contra bronquiolite. Deve ser repetida a cada gestação.
Disponível no SUS? Na rede pública, apenas para gestantes. Para imunizar idosos, é preciso recorrer à rede privada.
14. Covid-19
Para que serve? Evita casos e mortes por covid-19, causada pelo coronavírus Sars-CoV-2.
Esquema e recomendação: Quem tem de 5 a 59 anos, é saudável e ainda não se vacinou, deve receber uma dose.
A partir dos 60, o indivíduo deve receber uma a cada semestre (são duas por ano, com intervalo de seis meses entre elas).
Mulheres grávidas devem receber uma dose por gestação. Caso não se vacinem durante a gravidez, devem tomar uma dose no puerpério.
Grupos especiais (como populações que vivem em vulnerabilidade e pessoas imunossuprimidas) têm esquemas vacinais diferentes.
É possível consultar as orientações para cada grupo especial no site do Ministério da Saúde.
Disponível no SUS? Sim, para todos os grupos e idades.











