Quando as pragas começam a tomar conta da sua casa, um inseticida comum muitas vezes não dá mais conta de resolver a questão. Contra esses habitantes pouco
desejáveis, pode ser necessário investir em uma desinsetização ou desratização, procedimentos também chamados popularmente de "dedetização".
Mas o uso de venenos, obviamente, exige cuidados tanto para seres humanos quanto para pets que vivem no lar. A atenção ao tema voltou às manchetes recentemente, quando o youtuber Felipe Castanhari acusou uma empresa que fez a dedetização de sua casa de não passar instruções corretas de cuidados após a aplicação do inseticida, o que teria sido a causa da morte de um de seus gatos de estimação.
Conheça mais sobre os produtos e cuidados envolvidos em uma dedetização.
Tipos de produtos usados para dedetizar
O controle de pragas pode ser feito com diferentes apresentações e substâncias, dependendo da circunstância. Fatores a considerar na hora de escolher a melhor opção incluem:
- O tipo de praga a eliminar;
- A intensidade da infestação;
- Se o ambiente é uma casa ou apartamento (e como é a ventilação);
- Quanto tempo você consegue deixar o ambiente isolado;
- Se o local é frequentado por crianças, gestantes, pessoas alérgicas e animais de estimação.
Diante dessas características, opções usadas por empresas especializadas incluem produtos de pulverização líquida ou em "fumacê", pós químicos, pastas, géis ou iscas. Alguns buscam fazer a descontaminação do ambiente inteiro, enquanto outros são aplicados em pontos estratégicos, como frestas e tomadas.
Já as iscas são uma forma "passiva" de eliminar a praga: a ideia é atrair os insetos ou ratos até o local do veneno, contaminando-os com um produto de ação mais lenta. Eles depois levam essa substância para sua colônia, espalhando-a entre os demais.
Para pessoas com pets em casa, a preferência costuma ser por técnicas de dedetização que espalhem menos o veneno pelo ambiente, como géis que são aplicados apenas em frestas e locais que os animais de estimação não conseguem acessar. Geralmente, esses produtos são inodoros, o que também evita que o bichinho seja atraído por eles.
Mas nem toda infestação pode ser resolvida dessa forma, por isso a avaliação do produto a utilizar deve considerar a realidade caso a caso.
Cuidados após uma dedetização
O principal ponto de atenção após uma dedetização é garantir que o ambiente não volte a ser ocupado antes do tempo considerado seguro.
O isolamento varia de acordo com o tipo específico de veneno utilizado e, como o caso de Castanhari ilustra, pode ser uma boa ideia checar por conta própria o que os fabricantes indicam no rótulo: por vezes, empresas dedetizadoras anunciam um tempo menor do que o ideal para não "afastar" clientes.
A maioria dos produtos usados em dedetização costuma exigir um período de 12 a 24 horas até o ambiente voltar a ser seguro para seres humanos, mas, no caso de pets, esse intervalo pode chegar a 72 horas. Isso porque, nos primeiros dias após a aplicação dos inseticidas ou raticidas, não é recomendado limpar a casa para não remover os produto antes que sua ação se complete.
Nessa janela de tempo, os perigos para animais de estimação envolvem fatores como seu peso menor, o que exige menos veneno para causar problemas do que em uma pessoa, e sua maior proximidade do chão, o que os deixa mais expostos.
Gatos também podem se esfregar em áreas que tiveram contato com o veneno e acabar ingerindo o produto posteriormente, ao se lamber na hora do banho. Mas todos os animais estão sujeitos a perigos de alguma forma. É uma boa ideia deixar portas e janelas abertas, sempre que possível, para ventilar bem o local de aplicação e remover os excessos de gases potencialmente tóxicos que ficaram no ar.
Por que o termo "dedetização" caiu em desuso
Não há prova maior de que a dedetização exige cuidados do que o próprio termo: ele surgiu em referência ao uso do DDT (diclorodifeniltricloroetano), o primeiro inseticida usado em larga escala no mundo. Inicialmente empregado para combater doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, ele rendeu até um Nobel de Medicina ao seu criador nos anos 1940.
No entanto, com o passar das décadas descobriu-se que o DDT causava alta contaminação ambiental e gerava risco de câncer e sequelas neurológicas em humanos. O Brasil proibiu seu uso agrícola em 1985 e qualquer tipo de aplicação do DDT em 2009.
Hoje, esse inseticida é banido no mundo inteiro, mas a expressão derivada do produto seguiu sendo usada cotidianamente - embora o mais correto seja falar em desinsetização ou desratização, conforme o caso.












