A pop star colombiana Shakira, que protagoniza um esperado show no Rio de Janeiro na noite deste sábado, 2 de maio, possui uma habilidade capaz de protegê-la
do declínio cognitivo, um problema mais comum com o envelhecimento. Ela é poliglota.
É bastante divulgado que a cantora que coleciona sucessos musicais fala ao menos seis idiomas. Fora o espanhol, sua língua nativa, ela aprendeu inglês, catalão, francês e italiano. Arranha árabe, já que parte da família vem do Líbano, e domina até o português, fruto de suas inúmeras turnês no Brasil.
E essa capacidade de falar mais de um (dois ou três...) idiomas tem efeitos protetores para a saúde cerebral. Está associada a um menor risco de desenvolver comprometimento cognitivo leve e demência, quadros que destroem progressivamente funções como a memória, o raciocínio e o planejamento.
A ciência assina embaixo. Um estudo robusto publicado no periódico Nature Aging analisou dados de 86 mil pessoas de 51 a 91 anos de 27 países europeus e concluiu que dominar e usar mais de uma língua pode tornar mais lento o envelhecimento cerebral - o que contribui para evitar prejuízos à cognição.
Outro trabalho, bastante interessante, dividiu uma comunidade urbana na Índia de 1 234 cidadãos em dois grupos: os que falavam um único idioma e aqueles que eram bilíngues. Os pesquisadores foram de porta em porta entrevistar os participantes e colher seu histórico de saúde.
Uma vez feita a distinção dos grupos, a conclusão foi clara: quem falava duas línguas estava mais protegido do comprometimento cognitivo e da demência que a turma que usava apenas uma língua. O artigo, publicado no jornal da Associação do Alzheimer, corrobora que o bilinguismo seria um fator de defesa contra a erosão das capacidades mentais.
"O aprendizado de mais de um idioma está relacionado à maior formação de vias entre os neurônios, o que pode retardar o aparecimento do Alzheimer e seus sintomas", comenta a geriatra Mariana Bellaguarda Sepulvida, coordenadora do Serviço de Geriatria do Hospital São Luiz/ Rede D'Or de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
É uma das tarefas intelectuais que, ao longo da vida, recrutam as células nervosas e ajudam a forjar a chamada reserva cognitiva, que resguarda o cérebro de doenças que prejudicam a memória, o planejamento no tempo e no espaço e, consequentemente, a autonomia.
Embora seja mais fácil apropriar-se de um idioma na infância ou na juventude, nunca é tarde para se matricular num curso de idioma e tirar vantagem desse "efeito colateral". Fica mais fácil se comunicar nas viagens pelo mundo e seu cérebro terá mais um recurso para não se aposentar tão cedo.
Shakira já está na frente nesse quesito.












