Quem já tentou fazer uma dieta baseada em grandes restrições alimentares sabe que essa mudança abrupta pode causar grande frustração na hora das refeições.
Uma forma de aliviar esses momentos é o chamado "dia do lixo", também conhecido em inglês como cheat day ("dia da trapaça").
A lógica é simples (e extremamente polêmica): no meio da dieta, a pessoa escolhe um dia da semana para se alimentar como fazia antes, sem os mesmos cuidados do resto do tempo. É quando você pode comer "lixo" (outra definição controversa por si só), os alimentos sem grandes benefícios nutricionais mas que costumam ser bastante saborosos, lista que inclui ultraprocessados ricos em açúcar, gorduras e sódio.
Ainda que algumas pessoas relatem que conseguiram perder peso fazendo isso, as evidências científicas atuais apontam que, na maioria dos casos, esse tipo de estratégia não costuma funcionar no longo prazo. Entenda melhor por que o dia do lixo é tão problemático na visão dos especialistas, e o que pode ser feito para tornar a dieta menos frustrante.
Por que o dia do lixo é controverso (e não costuma funcionar)
O dia do lixo costuma falhar por diversas razões. Um dos efeitos é psicológico: ao criar a ideia de que a "comida gostosa" está concentrada em um dia da semana, é possível que isso aumente ainda mais o desgosto de comer de forma mais equilibrada nos outros dias, gerando um ciclo negativo ao longo do processo, que pode tornar cada vez mais difícil manter a dieta.
Também podem ocorrer exageros, com impactos práticos ou emocionais. Ao comer demais "o que não deve" em um único dia da semana, a pessoa pode passar o resto do tempo se sentindo mal pelos exageros.
Em casos mais extremos, a escolha por alimentos hipercalóricos nesse dia pode até fazer você perder parte dos ganhos que obteve nos outros dias, "anulando" as consequências da dieta na perda de peso - e gerando mais frustração.
O verdadeiro problema está em algo que cada vez mais estudos vêm demonstrando: dietas baseadas em restrições alimentares radicais são quase sempre insustentáveis no longo prazo.
E um dos efeitos de se privar de comida na busca por uns quilos a menos é justamente o exagero na dose na hora em que você se permite a fazer algo diferente (seja no "dia do lixo" ou em outra circunstância), podendo até redundar em episódios de compulsão alimentar.
Alternativas para uma dieta "sem sofrer"
Atualmente, os nutricionistas costumam recomendar que a dieta não seja encarada como uma coisa que você faz pontualmente na vida e depois "volta ao normal": é preciso pensar em termos de reeducação alimentar, mudando seus hábitos de forma gradual e sustentável, até que seu novo jeito de comer seja o normal para toda a vida.
Para chegar lá, o caminho não passa por restrições severas, mas por um bom planejamento do que deve ir no seu prato para garantir os nutrientes necessários.
Um bom profissional de nutrição também deve encarar a alimentação não só em termos de macronutrientes, minerais e vitaminas, mas também entender os aspectos emocionais por trás da alimentação e da compulsão, e pensar em maneiras de incorporar itens dos quais você não quer abrir mão.
É claro: para perder peso, é indispensável passar a comer menos calorias do que antes, o que passa por reduzir certos itens que jogam contra esses objetivos, como doces ou frituras, por exemplo. Mas, com paciência, dá para pensar em estratégias que permitam seguir comendo um pouco do que você gosta, sem cortar pratos por completo nem seguir no mesmo nível de antes.
Sem encarar nenhuma comida como "lixo", o objetivo é encontrar um equilíbrio entre saúde e aquilo que torna a nova rotina alimentar capaz de ser mantida por muito tempo, mesmo após você atingir o peso desejado.












