Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,8 bilhão de pessoas correm risco de adoecer por causa do sedentarismo. Isso porque a inatividade física
está relacionada a doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, infarto e AVC, que hoje são as principais causas de morte no mundo todo.
No Brasil, a falta de tempo é a maior vilã nesse cenário, segundo pesquisas. Praticar atividade física, porém, não precisa ser um bicho de sete cabeças. Há muitas modalidades que, em pouco tempo, podem fazer uma grande diferença para a saúde.
"A corrida é um exemplo: 25 minutos correndo trazem os mesmos benefícios que 105 minutos de caminhada", cita a fisioterapeuta Raquel Castanharo, no novo episódio do programa VEJA E CUIDE-SE, disponível no YouTube e no Spotify.
Para incentivar as pessoas a começarem a se movimentar, a especialista em biomecânica da corrida pela Universidade de São Paulo (USP) desmascarou quatro mitos que impedem muitas pessoas de dar uma chance e curtir a atividade. Confira-os abaixo.
1. "É melhor correr na ponta do pé"
Mito! "Você pode pisar tanto com o calcanhar, com o meio do pé ou com a parte da frente. Isso não vai dizer se você correr bem ou mal e também não está relacionado com maior ou menor risco de lesões", esclarece Castanharo, também autora de Este Livro Não É Só Sobre Corrida (Editora Planeta - clique aqui para comprar).
Estudos científicos já mostraram que não há um tipo de pisada melhor do que o outro. Tentar forçar um movimento que não é natural para cada corredor pode acabar levando à sobrecarga dos membros inferiores.
2. "Existe um jeito certo de respirar durante a corrida"
Também não há uma técnica de respiro que melhore a performance da atividade. "Isso existe para natação, que é um esporte onde a respiração é completamente diferente do que fazemos fora d'água", explica a fisioterapeuta.
A falta de fôlego é uma companheira comum aos corredores iniciantes — mas vai melhorando. Quanto mais se pratica, mais condicionamento o coração, os pulmões e os músculos terão para suportar e aliviar o exercício.
3. "A melhor cadência é a de 180 passos por minuto"
Não existe um número mágico. A cadência se refere a quantos passos conseguimos dar por minuto de corrida — e isso vai variar bastante, dependendo, por exemplo, da velocidade, da altura e do tamanho das pernas de cada corredor, por exemplo.
"Se eu estou correndo a 10 km/h e tem alguém do meu lado correndo a 20 km/h, não vamos dar a mesma quantidade de passos por minuto", exemplificar Castanharo. "Quanto mais rápido você corre, maior é a sua cadência. Então, não tem como estabelecer um número para todo mundo."
4. "Correr envelhece"
Correr pode levar a uma ganho de até três anos de expectativa de vida. A prática ajuda, sim, a chegar mais longe e envelhecer mais e melhor. Mas as supostas marcas de envelhecimento nos rostos de alguns corredores não são consequência da corrida.
A fisioterapeuta explica que a falta de proteção solar e a perda de gordura (natural de todo processo de emagrecimento) são as causas mais plausíveis para mudanças na fisionomia dos atletas.
Assista ao episódio completo no YouTube, que contou com a participação da jornalista Patrícia Julianelli, corredora há 20 anos, e mediação de Diogo Sponchiato, redator-chefe de VEJA SAÚDE.















