Com a queda das temperaturas, para muitos, aquela dieta restritiva e severa chegou ao seu fim. Como já ouvi dizer, basta a roupa correta e a silhueta estará
perfeita. Essa preocupação com a forma apresenta sua relevância na saúde, pois está associada à autoestima e valores emocionais fundamentais para o nosso bem-estar.
Quando começamos a nos preocupar com dieta? A busca pela silhueta e a saúde é relatado na literatura Ésopo no século VI antes de Cristo e citado por Hipócrates em 400 AC. Por que então, até hoje, pensamos no final da dieta?
Como já relatamos aqui, a palavra dieta foi descrita com a lenda do corvo que desejava ser cisne. No final da história, o corvo, que não se tornou cisne, morre.
Paramos de fazer dieta porque, como o corvo, jamais chegaremos a ser cisne, ou seria outra razão? Ao tentar entender por que nos alimentamos, encontraremos diversas justificativas. Essas justificativas passam pelas questões sociais, pois comemoramos as conquistas com alimentos; ingerimos alimentos na expectativa de um acontecimento e muitas vezes deixamos de comer na tristeza.
A alimentação se apresenta com muitas faces. Quando então pensamos em dieta para emagrecer, olhamos apenas para uma delas, sendo que as demais continuarão presentes e se manifestando dentro de nós.
Assim, quando então a perspectiva da estética em um contexto social perde importância, a justificativa que teríamos para fazer dieta se esvai da mesma forma. Com este fim, toda a abdicação da comida perde espaço para o prazer hedônico da alimentação sem culpa, como se emagrecer fosse uma corrida que se encerra com a bandeirada do outono.
O fato é que dieta, como é entendida hoje popularmente, se enquadra em questões relacionadas a culpa pelo prazer hedônico e que a única alternativa é a privação como forma punitiva.
O que devemos fazer para outra forma de viver:
- Entender que o prazer da alimentação é importante para nosso bem-estar emocional;
- Escolher as extravagâncias em momentos importantes e de forma consciente, como uma compra que fazemos quando temos saldo no banco ou, quando não temos o recurso, pagamos ao longo de um tempo;
- Essa corrida não tem uma linha de chegada mas sim um percurso que necessariamente requer prazer em percorrer.











