A mais recente pesquisa de intenção de voto para a presidência da República mostra uma mudança importante no cenário eleitoral do país. O levantamento feito pelo instituto Quaest, em parceria com a Genial
Investimentos, indica que o presidente Lula lidera a disputa em um eventual segundo turno. O atual mandatário aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro soma 38%. Esse resultado interrompe uma sequência de meses em que os dois postulantes apareciam em situação de empate técnico.
O avanço do petista representa a perda de espaço do parlamentar do PL, que vinha registrando bom desempenho nas sondagens anteriores. A movimentação coincide com a divulgação de fatos recentes que repercutiram diretamente na opinião pública nacional. Entre os acontecimentos que influenciaram o eleitorado estão as conversas reveladas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de novas medidas econômicas vindas dos Estados Unidos.
Impacto das conversas com banqueiro mexe com o eleitorado
O estudo capta de forma inédita como as denúncias envolvendo o Banco Master mexeram com a cabeça dos brasileiros. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, trouxe detalhes sobre onde ocorreu a maior movimentação de votos. "A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula", explica Felipe Nunes, diretor da Quaest. Esse grupo específico representa cerca de um terço de todo o eleitorado nacional e costuma ser decisivo em pleitos presidenciais. São pessoas que não se consideram ligadas a nenhum espectro político tradicional.
De acordo com os dados apresentados, a rejeição à conduta do senador pesou bastante para essa migração de apoio. A maior parte dos entrevistados demonstrou descontentamento com as notícias sobre o pedido de suporte financeiro para uma produção audiovisual familiar. A percepção pública sobre o grau de conhecimento do parlamentar a respeito das atividades do banqueiro também se mostrou amplamente desfavorável.
Reações às medidas americanas dividem opiniões no país
Além do cenário doméstico, as decisões anunciadas pelo governo de Donald Trump em relação ao Brasil entraram no radar dos eleitores. O público se mostrou bastante dividido quando questionado sobre a classificação de facções criminosas como organizações terroristas por parte de Washington. Existe um equilíbrio nas respostas, embora a maioria entenda que essa tarefa deveria ser de responsabilidade das autoridades brasileiras.
As tarifas comerciais impostas pela Casa Branca também geraram debate na amostragem. Uma parcela significativa dos eleitores concorda com a visão governamental de que houve influência política externa para prejudicar o comércio local. Por outro lado, há quem veja as taxas como uma resposta direta ao sistema de pagamentos Pix ou como retaliação a posicionamentos diplomáticos de Brasília.
Outros nomes da oposição buscam espaço na disputa
Mesmo com a oscilação negativa de Flávio Bolsonaro na ala que engloba a direita não bolsonarista, os demais concorrentes do mesmo campo político encontram dificuldades para crescer. O governador Romeu Zema apresentou uma leve queda em seu desempenho e se mantém distante do líder da pesquisa. Felipe Nunes pontua que o cenário segue concentrado. "Os outros nomes da direita não conseguem, no entanto, melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos que Flávio", explica Felipe Nunes.
Por outro lado, o fundador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, conseguiu registrar uma melhora numérica dentro das simulações de segundo turno efetuadas pelo instituto. Ainda assim, o pré-candidato do partido Missão aparece abaixo do patamar alcançado pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O levantamento oficial ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios e foi devidamente registrado perante a Justiça Eleitoral brasileira.













