A inteligência artificial tem dominado o mundo. Pesquisadores paulistas desenvolveram uma ferramenta capaz de transformar o atendimento radiológico em casos graves. A Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação
(FEEC) e a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) criaram o LobePrior, um software que identifica automaticamente os lobos pulmonares em tomografias de pacientes com Covid-19, câncer e pneumonia.
O estudo que valida a inteligência artificial saiu na prestigiada revista científica Scientific Reports, do grupo Nature. A tecnologia analisa o nível de comprometimento dos órgãos em poucos segundos.
De acordo com o diretor do setor de radiologia do Hospital de Clínicas da Unicamp,"o software consegue fazer essa quantificação em segundos ou minutos, com reprodutibilidade superior à análise manual."
Como a inteligência artificial supera as limitações da imagem
A anatomia humana divide os pulmões em cinco lobos por meio das fissuras pulmonares. Mapear essas regiões com a exatidão da inteligência artificial orienta cirurgias e tratamentos. No entanto, lesões graves frequentemente tornam essas fissuras invisíveis nos exames tradicionais.
A equipe da universidade superou esse gargalo criando lesões artificiais em tomografias saudáveis para treinar o algoritmo da inteligência artificial. Nos testes com quatro bancos de dados independentes, a ferramenta atingiu 97% de concordância com os relatórios médicos em quadros graves de Covid-19.
O desenvolvimento começou em 2020 com o acervo de exames do hospital universitário. O engenheiro Jean Antonio Ribeiro liderou a criação do código durante seu doutorado. A iniciativa contou com o apoio da Faculdade São Leopoldo Mandic para validar dados de pacientes oncologistas.
De acordo com a orientadora da pesquisa, "não tem algoritmo bom sem dado bom. Esse dado passou por horas e horas de anotação manual com a ajuda dos médicos. O humano está na entrada e está na saída. A parte do meio é o algoritmo."
O Laboratório de Imagem Médica por Computação (MICLab) liberou o código-fonte gratuitamente para a comunidade científica. O projeto aguarda validações clínicas e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para chegar aos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).
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