Os roubos e furtos de motocicletas registraram uma queda expressiva de 22% na Região Metropolitana de São Paulo ao longo do primeiro trimestre de 2026. Um levantamento detalhado divulgado pela empresa
de monitoramento Ituran revelou que foram contabilizadas 5.857 ocorrências criminosas no período, indicando um recuo considerável na comparação direta com os três primeiros meses de 2025, quando o setor de segurança pública computou 7.545 casos semelhantes. Apesar da retração geral nos índices criminais do Estado, o grande alvo dos criminosos em vias públicas continua sendo as motocicletas produzidas pela fabricante Honda. A linha CG 160 desponta isolada na liderança como o modelo mais visado pelas quadrilhas de São Paulo, somando 1.968 ocorrências no trimestre avaliado. Sozinha, a Honda CG 160 respondeu por aproximadamente um terço de todos os eventos de crimes patrimoniais contra motociclistas reportados na Grande São Paulo, mesmo apresentando um índice 19% menor na comparação com o ano anterior.
O topo do ranking de vulnerabilidade de modelos com menos de 500 cilindradas traz outras duas motocicletas da mesma montadora japonesa nas primeiras posições de destaque. A Honda CG 150 ficou na segunda colocação geral com o registro de 247 queixas policiais, seguida logo atrás pelo modelo de uso misto Honda XRE 300, que anotou 201 ocorrências no trimestre. A fabricante asiática mantém a liderança de perdas mesmo nas categorias de alta cilindrada. A Honda CB 500 registrou 33 ocorrências no mesmo intervalo de tempo, superando em volume de roubos modelos cobiçados de marcas internacionais famosas, como a Royal Enfield Himalayan 650 e a britânica Triumph Tiger 900. Por outro lado, modelos concorrentes de menor porte apresentaram uma melhora sensível em seus números de furtos, sendo que a Yamaha Fazer 250 despencou de 350 casos em 2025 para 183 neste ano, enquanto a Yamaha XTZ 250 recuou de 337 para 186 queixas. A única moto de origem não japonesa a figurar entre os dez modelos mais visados foi a utilitária TVS Sport 110, que assumiu a nona posição do ranking ao somar 137 ocorrências.
A análise geográfica dos dados, divulgada com exclusividade pelo Jornal do Carro do Estadão, revelou um forte processo de descentralização e dispersão dos roubos na malha urbana da capital paulista. No decorrer do ano passado, as ocorrências se concentravam de forma maciça nas regiões do Tatuapé, Campo Limpo e Santo Amaro. No atual cenário, a região de Santo Amaro, na Zona Sul, assumiu o posto de bairro mais perigoso da cidade após ver o seu indicador de criminalidade subir de 82 para 117 casos. A Barra Funda, localizada na Zona Oeste, desponta em segundo lugar com 80 crimes notificados, enquanto o Tatuapé aparece na terceira posição com 74 casos, seguido de perto pelos distritos da Zona Norte conhecidos como Santana, com 73 registros, e Freguesia do Ó, com 61 ocorrências. O estudo técnico pontua que regiões como Rio Pequeno, Jabaquara e Parque Edu Chaves atraem criminosos especializados em motos acima de 500 cilindradas por possuírem em comum um acesso extremamente rápido a rodovias estaduais e grandes avenidas perimetrais, fator logístico que facilita a fuga de viaturas.
A pesquisa da Ituran identificou ainda que os furtos sem violência cresceram sete pontos percentuais no segmento de baixa cilindrada, correspondendo a 74,35% dos eventos. Nas motos de luxo, o roubo à mão armada predomina em 65% das abordagens, contra 35% de furtos operados. Os criminosos priorizam veículos seminovos com até dois anos de uso na faixa de baixa cilindrada por motivos de peças, acumulando 2.042 casos, enquanto rejeitam modelos antigos com mais de dez anos de uso. Esse comportamento inverte-se completamente nas categorias acima de 500 cilindradas, nas quais as motocicletas antigas com mais de dez anos de fabricação lideram com folga as estatísticas estaduais com 151 registros criminais efetuados, contra apenas 72 queixas aplicadas a modelos topo de linha de fabricação recente.











