A indústria automobilística argentina passou por transformações radicais que culminaram no encerramento da produção e da venda de diversos carros icônicos consagrados no mercado local. A expansão acelerada
dos utilitários esportivos, a eletrificação da frota, a implementação de normas de segurança rígidas e as novas preferências dos consumidores provocaram o desaparecimento de veículos que dominaram as ruas e estradas por décadas. Muitos desses automóveis foram campeões de vendas e marcaram gerações de motoristas. A explicação para essa debandada em massa é simples: o mercado mudou drasticamente. Os compradores passaram a priorizar carros com posição de dirigir elevada, maior versatilidade e apelo visual aventureiro. Com isso, os SUVs ganharam terreno de forma esmagadora, enquanto os hatches, sedãs e minivans perderam participação ano após ano.
Entre os desfalques mais emblemáticos da lista de carros icônicos, poucos veículos causaram tanto impacto quanto o Volkswagen Gol. Durante anos, o modelo foi sinônimo de robustez, preço acessível e manutenção simples, liderando os rankings de emplacamentos na Argentina. A necessidade de adaptação às novas exigências de segurança veicular e a mudança estratégica da montadora alemã colocaram um ponto final na trajetória do hatch. As últimas gerações ofereciam motor 1.6 de até 101 cv e porta-malas de 285 litros. Movimento semelhante atingiu o Ford Ka, compacto urbano que conquistou o público pelo tamanho reduzido e manobrabilidade. A última edição contava com motor Dragon 1.5 de três cilindros com 123 cv, controle de estabilidade e seis airbags. A produção foi encerrada devido à reestruturação global da Ford, que optou por abandonar segmentos tradicionais. Outro fenômeno comercial foi o Chevrolet Classic, sedã conhecido originalmente como Corsa que se tornou o preferido de frotistas e motoristas de aplicativo por sua mecânica simples com motor 1.4 de 92 cv e porta-malas de 390 litros.
O segmento de médios também sofreu baixas severas devido ao colapso global dos sedãs. O Renault Fluence, produzido na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, destacava-se pelo acabamento refinado, tecnologia de chave presencial e versões turbo esportivas com até 180 cv. Na mesma linha de requinte, o grupo Stellantis descontinuou o hatch Peugeot 308 e o sedã Peugeot 408, ambos elogiados pelo comportamento dinâmico e opções de motores turbo. O sedã 408 oferecia um dos maiores espaços internos da categoria, ostentando um porta-malas com capacidade para 526 litros. A Fiat também perdeu representatividade entre os hatches com a saída do Fiat Punto, modelo de design italiano que trazia motores E.torQ e não ganhou um substituto direto na linha de montagem regional.
Mais recentemente, o fechamento desse ciclo industrial de carros icônicos foi simbolizado pela despedida do Chevrolet Cruze. Fabricado em Santa Fé, o modelo era um dos mais modernos do país e contava com motor 1.4 turbo de 153 cv, frenagem autônoma de emergência e internet sem fio nativa a bordo. Sua saída marcou o fim da produção de automóveis de passeio tradicionais pela General Motors na Argentina. Por fim, a linha Renault Sandero também reduziu seu espaço, deixando órfãos os entusiastas da versão esportiva RS desenvolvida pela divisão Renault Sport, que unia motor 2.0 de 145 cv e câmbio manual de seis marchas. Embora alguns desses carros icônicos possam inspirar futuros lançamentos elétricos globais, o retorno desses campeões do passado ao mercado local é considerado improvável.
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