Os cães e os gatos se tornaram membros efetivos das famílias brasileiras e, por essa razão, o transporte correto deles dentro dos veículos virou uma preocupação cada vez mais presente na rotina da população.
Um levantamento detalhado feito em conjunto pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, a Abempet, e pelo Instituto Pet Brasil apontou que, no ano de 2024, o País já abrigava aproximadamente 160 milhões de animais de estimação. Esse número expressivo corresponde a uma média impressionante de 2,2 animais por residência, colocando o território nacional na posição de terceira maior população de pets de todo o planeta. Diante desse cenário, levar os companheiros de quatro patas em deslocamentos diários ou em viagens mais longas exige uma série de precauções técnicas essenciais para que os trajetos ocorram sem incidentes.
A regra fundamental para qualquer tutor é garantir a contenção total do bicho durante o movimento do automóvel. Quem faz o alerta principal é o médico-veterinário da Petlove, Pedro Risolia, que reforça a necessidade de proteção ao afirmar textualmente: “A segurança e o conforto do pet devem vir sempre em primeiro lugar. O cuidado principal e inegociável é nunca deixar o animal solto no carro”. O especialista complementa a orientação lembrando os riscos estruturais da falta de cuidado: “Além de ser uma infração de trânsito que coloca a segurança de todos em risco em caso de frenagens bruscas, gera estresse para o pet”. De acordo com as informações publicadas pelo Jornal do Carro do Estadão, o método ideal de transporte deve variar obrigatoriamente de acordo com o porte de cada animal.
Os cães de pequeno porte e os felinos viajam de forma muito mais tranquila quando são acomodados em caixas rígidas apropriadas, que devem ser fixadas diretamente ao cinto de segurança traseiro. Já os animais de grande porte precisam utilizar cintos automotivos específicos conectados a um peitoral reforçado, dispensando totalmente o uso de coleiras simples de pescoço para afastar o risco de enforcamento. O profissional Pedro Risolia alerta que o tutor deve observar rigorosamente a qualidade do material, buscando costuras reforçadas e mosquetões de metal resistente. Outro ponto crítico envolve os perigos da automedicação em viagens longas, sendo que o veterinário destaca de forma categórica que “administrar sedativos por conta própria é muito perigoso. Muitos desses medicamentos rebaixam a pressão arterial e afetam a capacidade do animal de regular a própria temperatura corporal, o que em um carro pode ser fatal”.
Além dos perigos de saúde, o transporte inadequado de cães e gatos é punido severamente pelo Código de Trânsito Brasileiro. Conduzir o bicho com a cabeça para fora da janela ou na caçamba de picapes constitui infração grave com multa de R$ 195,23 e perda de 5 pontos na CNH. Transportar o animal no colo ou entre os braços gera multa média de R$ 130,16 e 4 pontos, enquanto deixá-lo solto gerando distração é infração leve com multa de R$ 88,38. O hábito comum de deixar o cão receber o vento no rosto pode provocar otites severas e lesões oculares graves causadas por detritos da pista. Por fim, em caso de colisões, o disparo dos airbags pode ser fatal para a estrutura óssea do animal, reforçando a obrigatoriedade de que viajem sempre no banco de trás.











