A maior preocupação de quem utiliza os aplicativos de transporte de passageiros não está relacionada ao trajeto em si, mas ao período que antecede a entrada no veículo. Uma pesquisa recente desenvolvida
pela Ipsos para a empresa inDrive revelou que 72% da sensação de vulnerabilidade dos usuários acontece no momento de solicitar a corrida ou enquanto esperam o automóvel chegar.
O levantamento detalha os fatores que mais geram ansiedade na população. De acordo com os dados coletados, 42% das pessoas entrevistadas relataram sentir maior desproteção ao pedir um veículo em regiões que não conhecem. Além disso, outros 30% dos participantes apontaram o tempo de espera na calçada como o instante de maior exposição a riscos.
A intenção do mapeamento era coletar dados abrangentes sobre a realidade nacional. “Nosso objetivo inicial era trazer uma perspectiva de segurança mais ampla, além dos nossos canais internos. Queríamos entender o mercado brasileiro como um todo, não apenas quem já usa o aplicativo”, afirma Larissa Coutinho, porta-voz da empresa ao Jornal do Carro.
Medo na calçada supera a jornada no trânsito
A relevância dessa discussão acompanha a forte expansão do setor no país. Indicadores da PNAD Contínua apontavam que o Brasil registrava 878 mil profissionais atuando em aplicativos de transporte de passageiros em 2024. Naquele período, 43,8% dos motoristas de automóveis trabalhavam vinculados a plataformas digitais. Atualmente, as estimativas do governo indicam que esse contingente alcançou a marca de 1,2 milhão de trabalhadores.
Essa evolução transformou também os critérios de decisão do consumidor moderno. Para 30% dos clientes ouvidos no estudo, a proteção pessoal se tornou o elemento crucial no momento de definir qual plataforma utilizar, ultrapassando variáveis tradicionais como tarifas e tempo de deslocamento. Quando analisados os três critérios mais importantes para os indivíduos, a proteção é mencionada por 63% dos cidadãos.
A autonomia na escolha também desempenha papel fundamental no bem-estar do cliente. O relatório aponta que 84% dos passageiros experimentam maior tranquilidade quando possuem a liberdade de selecionar o condutor ideal. Essa escolha é feita com base em dados transparentes como a nota média, o histórico de atendimento e o volume total de viagens realizadas na plataforma.
Fatores de escolha na hora de pedir a corrida
De acordo com os representantes do setor, o investimento em bem-estar traz retornos diretos na fidelização do público. Segundo Larissa Coutinho, a percepção de segurança influencia diretamente a permanência dos usuários nas plataformas. “Quanto mais seguro o usuário se sente, maior a tendência de usar novamente e se fidelizar ao aplicativo”, afirma.
O estudo também trouxe à tona recortes específicos de gênero, demonstrando que as passageiras enfrentam dinâmicas distintas de receio nas cidades. “As mulheres se sentem, em geral, mais inseguras do que a média dos respondentes. Elas têm uma necessidade maior de informações antes da corrida, conferem se o motorista corresponde ao perfil do aplicativo e acompanham mais a rota durante a viagem”, diz Larissa Coutinho ao Jornal do Carro.
A dedicação feminina em mitigar riscos envolve uma checagem rigorosa antes de entrar no automóvel. O relatório destaca que as mulheres dedicam atenção redobrada à verificação da placa do veículo, ao modelo do carro exposto na tela, à fotografia de identificação do condutor e ao histórico de avaliações deixadas por outros usuários.
Cancelamentos sucessivos aumentam riscos na rua
Outro elemento crítico apontado pelo diagnóstico envolve a desistência de viagens por parte das plataformas. Conforme os dados consolidados pela Ipsos, 55% dos clientes já sofreram impactos negativos decorrentes de cancelamentos de viagens. Esse comportamento indesejado prolonga o tempo de permanência na via pública e estende o período de vulnerabilidade do cidadão.
Diante desses desafios, as empresas do setor iniciaram movimentos para aprimorar os sistemas de suporte aos clientes. As marcas investem constantemente no desenvolvimento de mecanismos modernos de monitoramento em tempo real, botões de emergência e canais diretos de atendimento para incidentes durante os deslocamentos urbanos.
O avanço expressivo dessa atividade econômica, que já superava a marca de 800 mil motoristas parceiros em 2024 conforme os dados do IBGE, consolida o debate sobre a proteção pessoal como o eixo central no planejamento da mobilidade nas grandes cidades do Brasil.















