O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento do teor de etanol anidro na gasolina comum para 32%, gerando forte preocupação e protestos no setor de veículos de coleção e antigos.
Conforme as informações publicadas pelo Jornal do Carro do Estadão, a mudança ocorre na esteira da Lei do Combustível do Futuro, que já havia elevado a mistura para 30% em agosto de 2025. O Ministério de Minas e Energia defende que a nova medida reduzirá a importação do combustível fóssil em 900 milhões de litros por ano. Contudo, proprietários e especialistas apontam que a alteração representa um risco direto para a preservação do patrimônio automotivo histórico nacional.
O presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), Andrés Pesserl, criticou a nova composição do combustível por afetar diretamente a durabilidade das peças. “Apesar das justificativas ambientais, é um fator complicador para o já árduo trabalho de manutenção e preservação de um veículo antigo. Os carros fabricados até os anos 1990 possuem componentes que sequer foram projetados para a mistura atual de 30%”, alertou o dirigente. O principal problema técnico está no fator higroscópico do etanol, substância que absorve a umidade do ar e acelera de forma drástica os processos de deterioração e oxidação.
O especialista em combustíveis Marcelo Manna, da MM-R Consulting, explicou que a água acumulada no fundo dos tanques de aço cria um eletrólito condutivo altamente prejudicial. Esse fenômeno químico acelera a corrosão galvânica, gerando partículas de ferrugem que acabam por entupir filtros e carburadores dos automóveis. “Quando falamos de carros de coleção, que muitas vezes ficam parados por longos períodos, é ainda mais grave”, complementou o consultor. Ele ressaltou ainda que os testes de viabilidade técnica promovidos pelo governo em 2025 duraram poucos meses e não incluíram nenhum veículo com tecnologia anterior ao sistema de injeção eletrônica.
Para mitigar os danos do aumento do etanol, mecânicos renomados do setor trazem recomendações práticas importantes. O chefe de oficina Bruno Tinoco, da Motorfast, sugere que os motoristas utilizem gasolinas de maior octanagem e evitem estocar o combustível por muito tempo. Já o consultor técnico Fábio Fukuda orienta a busca por profissionais qualificados para avaliar a substituição de mangueiras de borracha e canalizações por componentes modernos e resistentes. Por outro lado, colecionadores como Fernando Toledo enxergam a mudança como um processo de adaptação necessário. Ele realiza ajustes na taxa de compressão e nos giclês dos carburadores de seus modelos clássicos para garantir que continuem rodando sem agredir o meio ambiente.













