Silenciosa e muitas vezes negligenciada, a trombofilia é uma condição que pode estar por trás de quadros sérios como trombose, embolia pulmonar e até acidente vascular cerebral (AVC). O grande problema
é que, sem diagnóstico precoce, ela pode permanecer oculta até provocar consequências graves.
“A trombofilia é uma tendência aumentada à formação de coágulos sanguíneos. Isso ocorre devido a alterações na coagulação, que podem ou não ser hereditárias”, explica a Dra. Aline Lamaita, cirurgiã vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). “Muitas vezes, a pessoa só descobre a condição após um evento trombótico, como uma trombose ou até abortos de repetição. Mesmo assim, o problema pode continuar sem ser identificado.”
Trombofilia: Quando ficar em alerta?
Segundo a médica, algumas situações específicas exigem atenção redobrada. “Trombose antes dos 45 anos, especialmente sem causas aparentes, abortos recorrentes e coágulos em locais incomuns, como nas veias do abdômen, são sinais que merecem investigação”, diz. Para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar exames de sangue, capazes de identificar alterações genéticas ou nas proteínas relacionadas à coagulação.
Quando um coágulo se forma, os sintomas são claros: inchaço persistente (principalmente nas pernas), dor contínua, mudança de cor e aumento da temperatura na região afetada. “Esses sinais indicam urgência médica. Sem tratamento, o coágulo pode se deslocar e alcançar órgãos vitais, provocando uma embolia pulmonar ou um AVC, que podem ser fatais”, alerta Dra. Aline.
O tratamento de emergência envolve, geralmente, o uso de anticoagulantes intravenosos e internação hospitalar para dissolução do coágulo. Já nos casos em que a trombofilia é confirmada antes da ocorrência de trombose, o tratamento costuma ser contínuo e preventivo.
Como prevenir?
Segundo a especialista, o cuidado com o estilo de vida é fundamental. “Mesmo com tratamento medicamentoso, a prevenção depende de bons hábitos. Parar de fumar, manter o peso adequado, evitar o sedentarismo, beber bastante água, alimentar-se bem e não passar muito tempo parado são atitudes essenciais”, afirma.
O uso de meias de compressão, que ajudam na circulação venosa, também pode ser indicado, assim como o acompanhamento médico regular. “Vale destacar que uma pessoa com trombofilia pode nunca desenvolver trombose. Da mesma forma, quem teve uma trombose pode não ter trombofilia. Por isso, o acompanhamento com um especialista é essencial para avaliar o risco individual e indicar a melhor conduta”, finaliza.
*Fonte: Dra. Aline Lamaita – Cirurgiã vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology e do American College of Lifestyle Medicine. Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard. RQE 26557.
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