A recente decisão aduaneira dos EUA deve gerar profundas transformações na atividade financeira nacional. A princípio, o governo do presidente Donald Trump oficializou a cobrança de uma taxa extra de 25%
sobre as mercadorias vindas do mercado brasileiro. Diante desse cenário, analistas apontam que a medida trará reflexos imediatos sobre a inflação e o nível de emprego no país. A nova alíquota entrará em vigor a partir do dia 22 de julho, gerando forte apreensão no empresariado nacional.
Como resultado direto desse anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou publicamente a postura protecionista do parceiro comercial do norte. O líder do executivo brasileiro antecipou que o país adotará a Lei de Reciprocidade como instrumento de defesa econômica. De antemão, entidades de classe alertam que o embate tarifário tende a desorganizar os canais de distribuição globais. O fluxo cambial também pode sofrer oscilações bruscas devido à redução projetada na entrada de dólares no mercado interno.
Os setores produtivos mais atingidos pelas novas alíquotas dos EUA
Sob o mesmo ponto de vista, o impacto comercial será distribuído de forma desigual entre as cadeias produtivas do país. Um estudo técnico elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,1 mil itens exportados sofrerão com a barreira tarifária. Esse montante representa uma movimentação financeira histórica de aproximadamente US$ 14,9 bilhões na balança comercial brasileira. O presidente da CNI, Ricardo Alban, detalhou ao site g1 as consequências diretas dessa barreira alfandegária: "O aumento compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana."
Ademais, as perdas no campo devem atingir a impressionante cifra de US$ 4,2 bilhões em vendas internacionais. De acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), as taxas vão comprometer mais de um terço do comércio agropecuário com os norte-americanos. Os segmentos de celulose e papel, que movimentam US$ 1,64 bilhão, lideram a lista de perdas do setor primário. O complexo sucroalcooleiro e o sebo bovino também integram a lista de produtos fortemente penalizados pela nova política de Washington.
As justificativas políticas de Washington e as barreiras técnicas
Posteriormente ao anúncio, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou uma lista de queixas institucionais para validar as sanções. O órgão norte-americano incluiu temas como a regulação estatal do sistema Pix e a segurança jurídica de empresas de tecnologia. O gabinete estrangeiro também mencionou retrocessos no combate à corrupção e os níveis de desflorestamento no território nacional. Fica evidente que as exigências ultrapassam os aspectos estritamente comerciais do acordo bilateral.
Apesar disso, diversos representantes industriais brasileiros tentam reverter a aplicação das taxas por meio de defesas baseadas em dados técnicos. O setor de madeira processada argumenta que os produtos enviados servem para abastecer a demanda da construção civil de lá, sem concorrer com as fábricas locais. O superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Paulo Pupo, em entrevista à CNN Brasil, defendeu a complementaridade das mercadorias nacionais:
"Em relação à defesa da ambiência dos produtos de madeira processada, a nossa expectativa é que as autoridades do governo americano avaliem e interpretem tecnicamente, porque elas foram baseadas no desempenho técnico dos produtos, da complementaridade do produto brasileiro na demanda americana. Reforçamos que nós não competimos com a produção local dos Estados Unidos."
Por fim, o café solúvel brasileiro, com exportações de US$ 1 bilhão, também deve ser sobretaxado. Apenas itens específicos como o suco de laranja, a carne bovina in natura e o café verde conseguiram isenção temporária no documento oficial. Conclui-se que o cenário exige diplomacia ágil para evitar uma recessão prolongada na economia do Brasil.













