Treinar em um dia de calor intenso pode parecer muito mais cansativo do que fazer o mesmo exercício no inverno. O suor aumenta, a frequência cardíaca sobe
e, muitas vezes, manter o ritmo se torna um desafio. Mas será que sentir mais calor significa gastar mais calorias?
Embora as duas temperaturas exijam adaptações do organismo, a sensação de esforço nem sempre acompanha o gasto energético. E a diferença fica ainda mais interessante quando observamos como o corpo utiliza seus combustíveis durante o exercício.
O que muda quando treinamos no frio?
Em temperaturas baixas, o organismo precisa evitar que o calor corporal seja perdido em excesso. Quando necessário, ele aumenta a produção de calor por meio dos tremores musculares e da termogênese, processo que também pode envolver a gordura marrom.
Uma pesquisa publicada em 2019, intitulada "Ambient temperature influences metabolic substrate oxidation curves during running and cycling in healthy men", avaliou nove homens durante exercícios em ambientes de aproximadamente 4,6°C e 34,1°C.
Os pesquisadores observaram que, durante a corrida na esteira, a taxa máxima de utilização de gordura como combustível foi maior no frio, chegando a 0,66 grama por minuto, contra 0,43 grama no calor.
Isso mostra que a temperatura pode modificar a maneira como o corpo produz energia durante o exercício. Entretanto, utilizar mais gordura como combustível naquele momento não significa necessariamente gastar mais calorias no total ou emagrecer mais.
E por que treinar no calor parece mais cansativo?
Quando a temperatura sobe, o organismo precisa eliminar o excesso de calor produzido pelo exercício. Para isso, aumenta a circulação sanguínea na pele e a produção de suor, cuja evaporação ajuda a resfriar o corpo.
Esse trabalho adicional pode elevar a frequência cardíaca e a percepção de esforço. Por isso, correr ou pedalar em um ambiente muito quente pode parecer mais difícil, mesmo quando a intensidade do exercício é semelhante.
O suor, porém, não representa diretamente a quantidade de gordura eliminada. A maior parte do peso perdido imediatamente após uma sessão muito quente corresponde à água.
Afinal, qual temperatura favorece o emagrecimento?
Não existe uma temperatura ideal que garanta maior perda de peso. Embora o frio possa aumentar a necessidade de produzir calor e modificar a utilização de gordura durante o exercício, o resultado depende da intensidade, da duração e das condições do ambiente.
Uma revisão sistemática publicada em 2021 na revista Nutrients, que reuniu 13 estudos, também encontrou diferenças no apetite após a exposição às temperaturas. Em média, o frio esteve associado a um pequeno aumento na ingestão alimentar, enquanto o calor apresentou o efeito contrário. Isso ajuda a explicar por que um eventual aumento no gasto energético não se traduz necessariamente em emagrecimento.
Para quem treina, o mais importante é escolher condições que permitam manter a regularidade e a intensidade adequada, respeitando os limites do organismo e evitando a exposição a temperaturas extremas.











