As canetas emagrecedoras literalmente transformaram o mercado de saúde e estética no Brasil. O emagrecimento rápido ganhou escala, impulsionado pela popularização
dos medicamentos.
Porém, após alcançar o objetivo de emagrecer, um novo movimento começa a ganhar força entre consultórios, clínicas e farmácias de manipulação: os efeitos do pós-emagrecimento.
Dentre eles, flacidez, perda de massa magra, queda de cabelo, enfraquecimento da pele e dificuldade de manter o peso. Esses efeitos já aparecem entre as principais queixas de pacientes que passaram por processos acelerados de emagrecimento.
Segundo dados da consultoria IQVIA, o mercado global de medicamentos voltados à perda de peso segue em expansão e deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionado não apenas pela demanda clínica, mas também pelo interesse estético e comportamental.
Para a farmacêutica Fabíola Faleiros, especialista em farmácia de manipulação e à frente da La Pharma, da Unna Pharma e de um braço em desenvolvimento no segmento veterinário, o foco exclusivo na perda de peso tem gerado uma nova onda de insatisfação.
“Hoje a gente começa a ver pacientes que emagreceram, mas não estão satisfeitos com o resultado como um todo. A balança muda, mas o corpo nem sempre acompanha da forma que a pessoa esperava”, afirma.
Segundo ela, o problema não está apenas no emagrecimento, mas na forma como o processo é conduzido.
“Quando a perda de peso acontece de forma rápida, sem estratégia de manutenção, começam a aparecer efeitos como flacidez, perda de tônus, alteração na qualidade da pele e até impacto na autoestima.”
O que vem depois do emagrecimento
Com o aumento do uso dessas medicações, cresce também a procura por estratégias que ajudem na manutenção do resultado.
Entre elas, os peptídeos manipulados vêm ganhando espaço como parte de protocolos complementares, voltados à modulação metabólica e ao suporte do organismo após o emagrecimento.
Fabíola reforça que é importante ajustar expectativas.
“Os peptídeos não têm o mesmo mecanismo das canetas e não devem ser tratados como substitutos. Eles não atuam via corrente sanguínea da mesma forma. O papel deles é complementar, dentro de uma estratégia bem indicada.”
Na prática, o interesse por essas soluções acompanha uma mudança no comportamento do paciente.
“Antes, a preocupação era emagrecer. Agora, a pergunta mudou: como manter esse resultado sem comprometer a saúde e a qualidade do corpo?”
Colágeno entra como aliado da manutenção
Outro ativo que volta ao centro da discussão é o colágeno.
Antes associado apenas à estética, ele passa a ser incorporado como suporte durante o processo de emagrecimento, especialmente em casos de perda de peso mais significativa.
“Quando o emagrecimento é mais intenso, a pele sente esse processo. O colágeno pode ajudar na firmeza e na qualidade da pele durante essa fase”, explica.
Segundo a especialista, isso também impacta diretamente na percepção de resultado.
“Muitas pessoas emagrecem, mas não se sentem bem com o reflexo no espelho. E isso está muito ligado à forma como esse processo foi conduzido.”
Um mercado mais maduro e menos imediatista
Para profissionais da área, o crescimento do setor deve trazer uma mudança importante: o fim da lógica do atalho.
A tendência é que o emagrecimento passe a ser tratado como um processo contínuo, com mais acompanhamento e estratégias combinadas.
“O emagrecimento não pode ser visto como um ponto final. Ele é só uma etapa. O desafio agora é manter esse resultado com qualidade”, finaliza Fabíola.
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