O telespectador que quiser fugir do delay do streaming na Copa do Mundo não precisará fazer um grande investimento. Para ver os gols do Brasil antes de ouvir
o grito do vizinho, basta recorrer ao sinal da TV aberta com uma antena digital. Os modelos mais simples custam entre R$ 25 e R$ 150 --e, na maioria dos casos, até a opção mais barata já é suficiente para captar Globo e SBT sem depender da internet.
O Notícias da TV conversou com o professor Luiz Cláudio Schara, do Departamento de Engenharia de Telecomunicações da UFF (Universidade Federal Fluminense), para saber se vale a pena investir um pouco a mais.
"Raramente uma antena mais cara vai ser melhor do que uma mais barata", explica o especialista, que até tem uma versão "turbinada" em sua casa. "Tenho uma eletrônica, que liga na tomada, mas, sinceramente: o sinal não melhorou muito", revela.
Schara explica que o mais importante é saber posicionar a antena, já que o sinal digital é mais frágil, mostrando mais dificuldade de atravessar obstáculos:
Eu colocaria [a antena] mais no alto, com um fio longo, e bem longe de onde as pessoas ficam passando. O nosso corpo tem muita água, isso cria uma barreira para o sinal eletromagnético. Até uma porta fechada pode interferir. Procure um lugar sem obstáculos.
Diferentemente da TV analógica, conhecida justamente pelos chuviscos e fantasmas, a digital não corre o risco de trazer uma imagem de baixa qualidade. "Ou recebe [por] inteiro ou não. Aparece a imagem perfeita ou nenhuma", alerta.
- Como escolher a melhor anteninha para Copa:
- Antenas digitais simples já resolvem na maioria dos casos.
- Modelos internos custam a partir de R$ 25.
- Antenas externas podem melhorar o sinal em áreas difíceis.
- Preço alto não assegura recepção melhor.
- O mais importante é posicionar a antena no alto.
- Evite deixar a antena perto de portas, paredes e circulação de pessoas.
- Um cabo mais longo ajuda a encontrar o melhor ponto da casa
Quanto custa uma antena digital?
A reportagem encontrou antenas digitais a partir de R$ 25 em centros de comércio popular, como o Saara, no centro do Rio de Janeiro. Um aparelho interno sai por um preço parecido nos principais sites, enquanto uma externa tem versões mais simples com R$ 49 e outras mais completas por R$ 108.
NELSON TERME/CBF
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Por que Globo investe tanto no marketing da anteninha?
A campanha da antena digital não é apenas uma prestação de serviço ao telespectador. Para a Globo, ela também funciona como estratégia de audiência. Ao incentivar o público a assistir aos jogos pelo sinal aberto, a emissora tenta reduzir a dependência de quem acompanha a própria TV aberta por IPTV, streaming ou outras plataformas com mais atraso.
Na Copa, cada segundo conta. A TV aberta tende a entregar os gols antes das transmissões pela internet, especialmente em comparação com a CazéTV, que pode ter delay de 15 a 25 segundos. Para um evento acompanhado por milhões de pessoas ao mesmo tempo, essa vantagem técnica vira argumento de marketing: ninguém quer descobrir o gol do Brasil pelo grito do vizinho.
Há também um componente comercial. A Copa é uma das poucas atrações capazes de reunir o país em torno da mesma conversa, como acontece com o BBB. Quanto mais gente estiver no sinal tradicional da Globo, maior a força da emissora na disputa por audiência, repercussão e anunciantes. A "anteninha", nesse cenário, deixa de ser só um acessório e vira arma na briga pelo público.













