Exatos dez anos depois de sua primeira participação (frustrada) no BBB, Ana Paula Renault sagrou-se campeã do reality show mais visto da TV brasileira.
Para a agora milionária, a vitória ocorreu por causa de uma transformação no posicionamento do público, já que ela mesma alega não ter mudado desde 2016.
"Eu acho que o plot twist dessa história é que, na verdade, o que mais mudou foi a forma de o público me recepcionar. Porque eu continuo sendo a mesma pessoa, eu sou a mesma interlocutora. Só que eu acho que o ouvinte final está mais aberto, ele se predispôs mais a escutar o que eu tenho a dizer, sabe?", indica a jornalista em entrevista enviada pelo Paramount+ ao Notícias da TV.
"As pessoas ficaram um pouco mais sensibilizadas ou tiveram uma identificação maior… Ou, de certa forma, depois de uma década, até com as modificações sociais, políticas e econômicas, a forma de as pessoas enxergarem essas modificações políticas, econômicas e sociais também mudou, e isso me ajudou muito. Ajudou a minha mensagem a chegar em mais pessoas. Acho que, na verdade, foi isso o que se modificou, e não o contrário."
Mesmo com o posicionamento de que ela se manteve a mesma na última década, Ana Paula reconhece que aprendeu muito nos últimos meses. "Nossa, foram dias e meses muito intensos, convivendo com pessoas também intensas e completamente diferentes! O que eu acho muito importante pra gente, são experiências que nos enriquecem, sabe?", destaca.
"Eu falei isso em vários raios-X e até nas minhas trocas dentro da casa: apesar de eu dizer que não gosto muito de 'gente', isso vem de um lugar muito específico --porque o ser humano, muitas vezes, não fala o que pensa. As pessoas escondem coisas, usam máscaras sociais, e isso me faz ter esse cuidado maior nas relações", alfineta a integrante dos Veteranos.
"Mas, ao mesmo tempo, tratando com tantas pessoas diversas esses meses todos, isso só pode me enriquecer! Porque a gente observa o outro com mais carinho, tenta entender mais a história do outro, sabe? Tanto que eu sempre falei que eu via lá participantes extremamente inteligentes, pessoas extremamente diferentes, e que eu respeitava todos ali como jogadores. Porque eu acho que essa construção nossa mesmo, de evolução como ser humano, vem daí", pontua a milionária.
"A gente consegue aprender com todo mundo! Não só com quem a gente gosta, com quem se identifica, mas também com o oposto. Então, acho que foi isso que eu tentei fazer, e é o que faço ao longo da vida. Algo que eu aprendi com a maturidade: entender que até quem parece não ter nada a ver com a gente pode, sim, agregar muitas coisas", crava Ana Paula.
Encontraram a Beth Dutton brasileira?
Por causa de seus posicionamentos incisivos e de ser uma mulher que não leva desaforo para casa, Ana Paula foi escolhida pelo streaming para uma campanha de divulgação da série Rancho Dutton, spin-off do fenômeno Yellowstone (2018-2024) que já tem quebrado recordes de audiência. Para quem já assistiu à atração, não é difícil comparar a mineira com Beth Dutton, a desbocada e irreverente personagem vivida por Kelly Reilly.
Para a campeã, Beth tem o tipo de personalidade que incomoda os outros, assim como ela fez no confinamento. "Ah, sem dúvida, incomoda muito! Inclusive, ela incomoda as pessoas desde a hora que ela pisou lá, ela não precisou nem abrir a boca, né? Eu acho que acontece muito isso, porque a imagem dela transparece muita segurança", aponta Ana Paula.
"E uma mulher segura não é algo que todo mundo aceita muito bem, ainda mais na sociedade de lá, em que ela saiu de Montana e foi pro Texas, uma região mais conservadora, que está acostumada a ver homens em postos de comando. Aí, veem lá uma mulher que é casada, sim, tem um filho, tem sua própria família, mas que também exerce o poder. Que é escutada pelos homens da família, e que de certa forma, às vezes, até se torna a liderança."
Isso incomoda, mas não deveria! Então, eu acho que quanto mais produções que mostrem mulheres com autonomia, inteligentes, com vida própria, mesmo ocupando esse lugar que a sociedade espera da gente --que é uma mulher casada, com filhos e tudo mais-- melhor! Porque, ao mesmo tempo, é ela que vai lá, e vai brigar pra vida nova dela funcionar, ao lado das pessoas que ela ama.
"Então, incomoda e muito, porque o povo vira e fala: 'Por que não é o homem?'. Ou: 'Por que não é o marido ou o filho dela?'. Não! Muitas vezes, as decisões partem dela, e vocês têm que entender que, hoje em dia, grande parte das famílias é chefiada por mulheres, mães solo", ressalta a jornalista.
"Vocês tem que entender que essa força sempre esteve aí, só não era reconhecida. A gente só fingia, colocava um pano para não enxergar. Mas está na cara que são as mulheres que são arrimo de família, que fazem e acontecem", sentencia, sem hesitar.
"E os próprios homens dizem, quando têm uma mulher ao lado, que a vida deles começa a funcionar. Por quê? Porque eu acho que é essa junção que dá certo, como é o caso da Beth e do Rip [Cole Hauser]. Então, nunca é um contra o outro. E eu acho que Rancho Dutton mostra muito isso. Por que o núcleo familiar deles funciona? Porque existe respeito pelas personalidades de cada um, eles caminham juntos. É por isso que eles vão ter sucesso --eu, pelo menos, acredito que sim!", crava Ana Paula.











