Rui Ricardo Diaz, o Morello da série Impuros, interpretou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no filme Lula, o Filho do Brasil (2009). Mais de 15
anos depois do trabalho e com muitas discussões e controvérsias sobre Dark Horse, longa inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, o ator afasta arrependimentos e um medo de ficar marcado pelo papel.
Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, Diaz pontuou que, como artista, é impossível se distanciar de escolhas políticas na hora de fazer um trabalho. "Tudo que você faz tem um posicionamento político. Quando eu faço Impuros e penso no personagem, eu tenho um posicionamento político sobre isso. Acho que é o papel da arte."
O ator classificou a história de presidente como "fantástica" e diz admirá-lo. "Uma pessoa que tenha uma oposição muito grande a figuras como Lula ou como qualquer outro personagem desse ambiente, talvez tenha dificuldade, mas para mim não. Para mim, foi um presente."
Durante o bate-papo com a reportagem, Diaz se mostrou surpreso ao ser informado de que há atores desalinhados politicamente com Bolsonaro no elenco de Dark Horse. É o caso de José Trassi, que interpreta o personagem inspirado em Adélio Bispo. O ator lamentou este cenário, mas destacou que sua admiração por Lula facilitou o aceite na ocasião.
É um privilégio ter podido escolher os personagens, isso é realmente especial. Mas o Lula, por exemplo, eu fiz e, se voltasse atrás, faria de novo. Além de ter uma admiração grande pela figura e pela trajetória dele, se pensar nele só como personagem, você assiste ao filme e vê o quão dramático é. Para qualquer ator, é um desafio imenso.
Cinema no Uruguai
Diaz vive um momento de oportunidades internacionais no cinema. Ele acaba de filmar Amalia y El Diablo, uma coprodução entre Brasil, Uruguai, Espanha e Argentina. O ator interpreta o brasileiro João Silveira. "Eu faço um personagem muito poderoso e que, automaticamente, é um cara que comete uma série de impunidades", antecipou.
O novo filme estrangeiro acontece após ele ter participado de Anaconda (2025), com Jack Black e Selton Mello. Diaz afirmou que o movimento de uma carreira internacional acontece de maneira espontânea, mas atribui a um bom momento do audiovisual brasileiro. "Uma janela para o mundo", filosofou.
O longa, que se passa no século 19, fala de frenologia, um conceito errôneo que defendia que era possível definir a personalidade, o caráter e até a sanidade mental de uma pessoa através do formato do crânio. "É uma brincadeira com esse terror. É um filme, na verdade, bastante atual, porque ele trata de como lidamos com a violência e como ela está presente sempre em todas as épocas."
Diaz expôs sua vontade de um "intercâmbio com a América Latina" depois de atuar em espanhol. "A gente sempre acha a língua é uma barreira, mas foi sensacional e, se puder, quero fazer outros", cravou.











