O Fantástico deste domingo (24) exibiu novas imagens do momento da prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, em meio à investigação da Polícia
Civil e do Ministério Público de São Paulo que aponta supostas ligações dela com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Contudo, a operação já estava em andamento enquanto ela ainda passava uma temporada de mais de 20 dias em Roma, na Itália.
Deolane foi presa preventivamente em um condomínio em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, na quinta-feira (21), sob suspeita de lavagem de dinheiro, associação com o tráfico de drogas e de integrar a facção criminosa. Segundo a investigação, a advogada funcionava como um "caixa" do grupo criminoso.
Dias antes, ainda na Itália, ela já estava sendo observada pelas autoridades brasileiras e pela Interpol. Hospedada em um prédio de luxo na região da Piazza di Spagna, onde as diárias ultrapassam R$ 15 mil, Deolane publicava rotineiramente vídeos de sua viagem nas redes sociais.
A polícia chegou a traçar planos para prendê-la em território italiano, mas a influenciadora acabou retornando ao Brasil na véspera da deflagração da operação, sendo detida logo ao chegar a São Paulo.
Ao Fantástico, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya disse que os investigados utilizam pessoas com grande número de seguidores para pulverizar e ocultar o dinheiro ilícito. Um relatório de peritos da área financeira da polícia indica que R$ 13,6 milhões circularam pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022, enquanto outros R$ 14 milhões passaram por três de suas empresas.
A operação atual é o desdobramento de uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos em uma cela de Presidente Venceslau. As mensagens continham ordens das lideranças da facção: os irmãos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, o Marcolinha.
As pistas levaram a polícia a uma transportadora que funcionava ao lado da penitenciária para lavar dinheiro do PCC e apoiar o tráfico internacional de cocaína. Em dezembro de 2021, uma operação apreendeu celulares na casa de Ciro César Lemos e de sua esposa, que apareciam oficialmente como os donos da empresa.
A defesa de Deolane Bezerra, representada pelo advogado Aury Lopes Jr., afirmou ao Fantástico que a influenciadora não possui qualquer vínculo com a referida transportadora ou seus proprietários, tampouco conhecimento sobre eles.
Durante a audiência de custódia, Deolane declarou que os valores recebidos eram pagamentos legítimos por serviços prestados na época em que exercia a advocacia criminal. Após a prisão, ela foi transferida para o presídio feminino de Tupi, no interior de São Paulo.















