Com sua identidade fortemente entrelaçada ao rap e ao hip hop, Gabz tem encarado uma virada radical em sua carreira artística --pelo menos na ficção. Na
sua preparação para Coração Acelerado, a atriz e cantora precisou mergulhar no universo sertanejo para dar vida a Eduarda. Segundo ela, lidar com uma diferença tão explícita foi o que mais a atraiu na personagem da novela das sete.
Em conversa com a imprensa nos bastidores de Coração Acelerado, Gabz exaltou a trajetória da cantora da ficção, que carrega o peso de uma realidade vulnerável e o sonho de conquistar os palcos com um gênero dominado por estéticas e vozes bem diferentes da sua.
"Ela tem muito essa coisa entre o riso e o choro. A história dela é essa. Ela é uma menina que quer ser um pouco 'palhaço' da vida. Ela está rindo, mesmo com um drama interno muito forte. Mas ela não pode desmontar", elogiou Gabz, em conversa com o Notícias da TV.
"Eu acho que contar essas histórias no Brasil é uma grande responsabilidade, porque a gente tem um país onde as pessoas vivem assim: procurando, batalhando e tendo dramas pessoais muito fortes que não podem pará-las. Você não pode parar para 'matutar' esses dramas, porque você precisa seguir no dia seguinte, você precisa se alimentar, seguir vivendo, sorrindo, dançando; e eu acho isso muito bonito da Duda", analisou a artista.
Essa resiliência obrigatória, comum a tantos brasileiros, reflete-se na maneira como a personagem lida com suas falhas. Para a atriz, interpretar uma mulher forte e que erra é um exercício de desconstrução da "heroína" da televisão.
"Eu acho que às vezes a gente está desacostumado a ver o erro, e eu achei um grande desafio ter que lidar e interpretar os erros da Duda. Mas eu acho importante também, porque as nossas atitudes têm consequências. A gente vai errar, mas o que pode ser mudado é o que a gente faz com esse erro."
"Estou sempre procurando dignificar e humanizar a trajetória da Duda, que é uma trajetória delicada de uma menina muito vulnerabilizada. Uma menina que lida com desencaixe, negra dentro de um universo onde há poucas pessoas parecidas com ela. Eu estou sempre ali, tentando lidar com o máximo de delicadeza e respeito possível com essa história, porque a gente quer que ela vença", defendeu.
Contudo, a atriz não escondeu que a transição musical foi um ponto de pressão. Acostumada com o rap, Gabz precisou reconstruir sua técnica vocal para alcançar as notas potentes exigidas pelo sertanejo. Ela admitiu que o processo tem sido intenso e exigiu uma entrega total ao ofício da música.
"Eu estou ralando, porque é um desafio enorme cantar sertanejo. É um gênero musical de grandes vocalistas. É uma característica do gênero você ter grandes técnicas vocais. E a Duda é uma cantora, musicista, e isso é o cerne dela, então a gente tem que trabalhar bem isso", explicou.
"Eu venho de outro gênero musical, e é quase como aprender a cantar de novo, porque a gente tem que aprender coisas muito novas. Mas eu estou me divertindo muito, porque é gostoso você trabalhar com música, criando uma persona; porque não é só criar a personagem Eduarda, mas é criar a persona artista da Eduarda. Então é 'a criação da criação', e isso é muito legal de fazer, é muito legal pensar nessa referência", detalhou.
A busca por referências para Duda também revelou uma lacuna no mercado real, o que deu à atriz a liberdade --e a missão-- de inaugurar um novo precedente no gênero. Enquanto seus colegas de elenco encontraram ídolos estabelecidos para se inspirar, Gabz percebeu que sua personagem é, por si só, uma ruptura: uma mulher negra dentro da música sertaneja.
"Eu conversei muito com meus colegas, tanto Filipe [Bragança], Isabelle [Drummond], Isadora [Cruz], e eu sinto que eles tiveram a possibilidade de ter muitas referências reais. A gente tem influencers e cantores sertanejos... e eu fiquei pensando: 'Caramba, e a Duda? Em quem eu vou pensar? A quem é que eu vou recorrer de referência do mundo real?'. Aí eu falei: 'Caramba, como a Duda mesmo não tem'. Então a gente tem a oportunidade de criar um imaginário", relatou a artista.
Ao dar corpo e voz a essa jovem, Gabz deseja que Coração Acelerado sirva como um espelho de esperança para quem raramente se vê no topo das paradas da música sertaneja ou mesmo em papéis de destaque, tanto na vida real quanto na ficção.
"A Duda é essa coisa: uma menina pretinha com cabelo curtinho, meio doidinha e que gosta muito de arte. Então fui juntando essas referências do mundo real para poder vê-la brilhar e a gente poder ver isso como um olhar de sonho mesmo. Poder sonhar com existências de muitas meninas que vêm de realidades vulneráveis e conseguem vencer", concluiu.
Leia também -> Resumo dos próximos capítulos da novela Coração Acelerado
Coração Acelerado é ambientada na fictícia cidade de Bom Retorno, no Estado de Goiás. O folhetim conta com direção artística de Carlos Araújo. No elenco, estão Isadora Cruz, Filipe Bragança, Leticia Spiller, Leandra Leal, Antonio Calloni, entre outros nomes.
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