No esquenta para o Rio2C, realizado no fim de maio, a Netflix Brasil anunciou uma série de projetos, com destaque para um novo melodrama a ser dirigido
por Rogério Gomes, o Papinha. Já é a terceira "novela com nome mais chique" anunciada pela plataforma --uma mudança e tanto para uma empresa que, no passado, tinha dito que não pretendia investir no gênero.
Em 2017, numa visita ao Brasil, o então CEO Reed Hastings (que deixou oficialmente a empresa na semana passada) afirmou ao Notícias da TV e a outros veículos, com todas as letras, que novelas e esportes não estavam nos seus planos. "Outros players já fazem isso muito bem, acho que não temos muito o que acrescentar --e, por isso, preferimos ficar de fora", disse.
Menos de uma década depois, o streaming se rendeu aos esportes --com jogos da NFL, a liga de futebol americano, lutas de boxe e de MMA e pelo menos três transmissões semanais da WWE.
No universo das novelas, ela ainda não produz tramas com mais de 150 capítulos, como a Globo, mas parece ter encontrado o nicho onde pode acrescentar algo: os melodramas, com menos episódios, mas a intensidade dramática e os conflitos elevados à última potência.
Pedaço de Mim (2024), com Juliana Paes e Vladimir Brichta, virou um sucesso mundial e provou que o gênero valia o investimento. No ano passado, a Netflix anunciou outro melodrama, ainda sem título, com direção de Mauro Mendonça Filho e estrelado por Marieta Severo, Alice Wegmann, José de Abreu e Nanda Costa --ele deve entrar na plataforma no segundo semestre.
A plataforma não admite, claro, mas precisou se mexer depois de a rival HBO Max ter começado a olhar para as novelas, com as primeiras notícias sobre Beleza Fatal (2025) surgindo em 2022 --na época, com o título Segundas Intenções-- e informações sobre Dona Beja (2026) pipocando no ano seguinte. Afinal, melhor voltar atrás do que ficar para trás.
Em janeiro, numa entrevista à CNBC norte-americana, o co-CEO Ted Sarandos foi questionado sobre as mudanças de posicionamento da empresa, com a transmissão de esportes e eventos ao vivo e a inclusão de anúncios. Ele deixou claro que nada é intocável na empresa: "As coisas mudam. Podem ser as condições do mercado ou a sua visão sobre ele. Você precisa criar um ambiente em que as pessoas entendam que não há 'vacas sagradas' aqui".
Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix Brasil, endossou o discurso do chefe durante o Rio2C. "Se você tem uma certeza na Netflix, é a de que não temos certeza. Nunca vamos saber", resumiu, ao ser questionada sobre a possibilidade de a plataforma investir em novelinhas verticais.
"Hoje, não está nos nossos planos. Mas não sei se, em 2030, isso vai mudar. Talvez em 2030 nós tenhamos conteúdos verticais também, mas, neste momento, eu não estou vendo essa tendência na Netflix", sentenciou a executiva, explicitando que tudo que vale hoje pode não valer mais amanhã. "Temos vários formatos diferentes que estão sendo criados agora. Temos filmes em duas partes, temos nossas séries de melodrama..."











