Na última quinta-feira (30), Lavinia Vlasak marcou presença no The Noite, do SBT. A atriz, longe das novelas desde uma breve participação em Bom Sucesso
(2019), foi questionada sobre seu afastamento da TV. "É um mistério. Se alguém souber [o porquê do sumiço], também me conta", pontuou a artista.
O desabafo expõe dois grandes problemas da TV hoje em dia: a previsibilidade das escalações de elenco e a redução no número de produções.
Nomes como o de Lavinia Vlasak passam anos longe das telas, enquanto outros emendam trabalhos. Flávia Alessandra, que concluiu Êta Mundo Melhor! em março, já aparece nas chamadas de Quem Ama Cuida. O talento de atriz é inquestionável, mas a personagem na próxima trama das nove é tão adequada a ela quanto a Lavinia e a outras tantas "esquecidas".
Talvez por isso, o ingresso de atores e atrizes em qualquer produção, após um tempo distante dos estúdios, gere tanto burburinho. Público e mídia sempre exaltam escalações que fogem do óbvio e resgatam veteranos.
As novelas verticais, formato relativamente novo, rendem assunto justamente por causa de convites a talentos como Beth Goulart (Tudo por uma Segunda Chance), Bia Seidl (Uma Babá Milionária) e Taumaturgo Ferreira (Quem É o Pai do Meu Bebê?). Em breve, Cristiana Oliveira e Giulia Gam também vão "ressurgir" em produções para o celular --Então É Amor?! e O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas, respectivamente.
Porém, o investimento nas "novelinhas" é baixo quando comparado às apostas em dramaturgia que as emissoras costumavam fazer em um passado não muito distante. O SBT fechou seu núcleo de produções no ano passado. A Record restringiu o setor a séries bíblicas. A Globo aumentou o número de capítulos --diminuindo, assim, os lançamentos por ano. No Brasil, o streaming caminha a passos lentos quando se trata de ficção. Com menos projetos em curso, há menos chances de trabalho.
Cabe lembrar que foi na Record que Lavinia Vlasak emplacou sua primeira protagonista, a Clarice de Prova de Amor (2005) --e, logo depois, a vilã Erínia, em Vidas Opostas (2006). As concorrentes deram oportunidades a nomes que, na Globo, enfrentavam a já citada previsibilidade nas escalações.
A dramaturgia segue sendo o gênero de maior prestígio da TV brasileira, em termos de alcance e faturamento. Os investimentos são robustos, mas necessários. Produtores e diretores precisam pensar além do óbvio, evitando comodismo e "panelinhas". A audiência, a imprensa e tantos nomes distantes dos sets agradecem.












