A atriz Bia Borinn dá vida a duas figuras simbólicas da cultura pop nos palcos de Los Angeles. Ela interpreta Marilyn Monroe (1926-1962) no monólogo Marilyn Times,
que estreou neste mês, e também assume uma residência artística como Carmen Miranda (1909-1955) no Casa Ipanema. Os projetos marcam a volta da artista aos palcos depois de uma fase mais concentrada no audiovisual.
A intérprete vê pontos de contato entre as personagens, apesar das diferenças consideráveis. Para ela, as duas foram transformadas em símbolos sexuais por uma indústria cruel com as mulheres, mas também abriram caminhos próprios. "Carmen como a primeira latina a se tornar uma estrela gigante, Marilyn por fundar a própria produtora para ter independência artística", explica a brasileira em entrevista ao Notícias da TV.
No caso de Carmen, a atriz diz que o público norte-americano ainda costuma enxergar a artista de maneira superficial:
Eles se referem a ela: 'Ah, a mulher do chapéu de frutas? Tutti-frutti hat?' ou 'ela era brasileira?' Quando eu conto que ela foi a mulher mais bem paga dos EUA em 1945, todo mundo fica de boca aberta. Então se faz urgente falar sobre isso.
É justamente essa visão limitada que a atriz quer enfrentar. A ideia é levar aos Estados Unidos uma linguagem ligada à trajetória de Carmen no Brasil, em vez de apenas reproduzir a lógica dos musicais americanos.
"Eu quero fazer o oposto: trazer o teatro de revista, o musical brasileiro para os Estados Unidos, já que a gente importa os norte-americanos, para descolonizar o olhar do espectador", afirma.
Morando nos EUA desde 2011, Bia também acumula trabalhos no audiovisual internacional. Ela participou de Tudo É Justo, série do Disney+ dirigida por Ryan Murphy, em que contracenou com Kim Kardashian e Naomi Watts. "Ela mudava as intenções a cada take, respondendo ao momento, foi lindo de ver", diz sobre a australiana. A atriz também esteve em I Love LA, da HBO, ao lado de Rachel Sennott e Leighton Meester, e em Caçadores de Gringos, da Netflix.
Casada com o ator Eduardo Muniz, que já participou de Grey's Anatomy, Bia define a rotina artística em Hollywood como "meio louca, imprevisível e desafiadora", especialmente com dois filhos e sem família por perto. Ainda assim, ela vê uma fase de maior interesse pelo Brasil no exterior.
"Eu acho que o Brasil está com mais visibilidade, sim, e isso tem a ver com política governamental, incentivo a cultura. É um trabalho de formiga", avalia.











