Descoberta no reality Popstars (2002-2003), a cantora Karin Hils começou a carreira musical na girl band Rouge até virar uma das atrizes mais populares
do teatro musical no Brasil. Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, a artista avalia a mudança de formato do Estrelas da Casa, da Globo, que parece seguir um modelo parecido ao do programa do SBT que a revelou. E ainda revela alguns segredos do novo documentário do Rouge.
Ao lado de Aline Wirley, Fantine Thó, Li Martins e Lu Andrade, Karin Hils viu o Rouge sair de um programa musical e dominar o Brasil nos anos 2000. Até hoje, a banda é referenciada como uma das mais icônicas do pop nacional.
Apesar da nostalgia, será que um novo grupo de cantores atingiria o sucesso delas? Ela acredita que sim. "Eu torço para que dê certo. A Globo domina como poucas emissoras a construção de narrativas que engajam o público", diz Karin à reportagem.
Para a cantora, o segredo para o novo Estrelas da Casa é apostar na conexão dos artistas com o espectador. "O público se conecta muito quando acompanha a formação, o desenvolvimento dos candidatos desde o início. Isso cria conexão, identificação", afirma.
Programas desse formato se tornaram febre ao redor do mundo nos últimos anos. Exemplos como Pop Star Academy --que produziu o Katseye-- e o Montando a Banda, da Netflix, revelam a fórmula de apresentar os integrantes como personagens e, só depois, colocá-los na busca pelo êxito. Karin concorda que há uma tendência e que a Globo pode surfar na onda.
"Acho que existe, sim, uma tendência [de programas com a proposta do Estrelas da Casa]. No Brasil, esse formato pode funcionar muito bem, desde que haja um bom direcionamento artístico para a carreira do grupo", opina.
O que vai definir se a banda formada vai pegar ou não depende do pós-reality, segundo ela. "Quando existe um olhar estratégico não só para o programa, mas para o desenvolvimento do artista principalmente depois, o potencial de sucesso é muito grande. Mas o reality é só o ponto de partida. O que sustenta um grupo é direção artística, um bom repertório e gestão consistente", diz.
Para os artistas que pretendem se inscrever no Estrelas da Casa, Karin dá uma dica valiosa:
Mais do que visibilidade, é preciso entender se você realmente quer construir algo coletivo. Um grupo exige muita maturidade, escuta e flexibilidade, é um exercício constante de equilíbrio entre identidade individual e projeto em comum. Quando isso está claro, a experiência pode ser muito potente e duradoura.
Mais de 20 anos após o Popstars, Karin usa uma lição do programa do SBT até hoje. "O que aprendi de mais valioso --e que com certeza fundamenta a minha base artística-- é que ninguém faz nada sozinho", afirma.
Segredos do Rouge em documentário
A história do Rouge vai ganhar um novo capítulo em 2026. A girl band será tema de um documentário da HBO Max no segundo semestre. Karin Hils adianta que o projeto emocionará os fãs, mas também quem não as conhece.
"É um projeto feito com muito cuidado e carinho para o nosso público e quem ainda não conhece nossa história. Foram mais de dois anos de construção e muitos bastidores que, por si só, já renderiam outra história", ela faz mistério.
Além de Karin, a série terá depoimentos de Aline Wirley, Fantine Thó e Lu Andrade. Muitos fãs sentiram a falta do envolvimento de Li Martins com o projeto, que deixará o documentário incompleto.
"Sobre as ausências, cada integrante tem seu tempo e suas escolhas individuais. Grupos em geral carregam histórias complexas, e nem sempre todos caminham juntos em todos os momentos. Isso faz parte", afirma Karin.











