Beatriz Reis, a Bia do Brás, estreia nesta quarta-feira (10) uma reportagem especial no Encontro com Patrícia Poeta, gravada diretamente de Nova York.
Às vésperas da Copa do Mundo, a ex-BBB conversou com uma empreendedora brasileira que vende produtos inspirados no país e acabou revisitando uma parte importante da própria trajetória: o período em que trabalhava no comércio popular paulistano. A experiência, segundo ela, segue presente em sua vida --seja na lembrança dos tempos em que corria do rapa (fiscalização que apreende mercadorias de vendedores irregulares) pelas ruas de São Paulo, seja agora, ao caminhar por Nova York em uma nova fase da carreira.
Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, a apresentadora encarou seu passado de frente e o impacto que esse projeto causou nela.
"Basicamente essa matéria me colocou diante de duas versões da mesma pessoa", afirmou ela, que foi além:
Um lado meu era a Bia camelô, que cresceu desde pequenininha vendo os pais vendendo na rua, vendendo junto e aprendendo a lidar com aquele universo das vendas, a sobreviver na rua. E a outra parte de mim era a Bia apresentadora da TV Globo, com uma grande missão, com um grande desafio, que era levar uma matéria muito especial para a televisão.
Primeira vez nos EUA
A viagem também teve outro significado especial: foi a primeira vez que Beatriz pisou nos Estados Unidos. Em vez de tentar parecer habituada ao cenário, ela decidiu transformar o deslumbre em parte da narrativa. O humor da Bia do Brás resultou na Bia do Bronx (um dos distritos da cidade, conhecido por ser o berço de manifestações de forte apelo popular como o rap e o hip-hop).
"Eu nunca tinha pisado nos Estados Unidos. Então, como que é o comércio? Como que as pessoas falam? O que elas comem? Onde elas vivem? Como é pisar em outro país? Como é andar pelas ruas? Como é conhecer uma cultura diferente?", questionou.
"Eu estava muito emocionada e fiz questão de deixar isso muito vivo na matéria. Não fingir costume. Estava ali a Bia do povo, que é essa pessoa que eu sou. Eu jamais seria outra pessoa só porque estou em outro lugar", complementou.
Segundo a apresentadora, o desejo era fazer com que o público acompanhasse a descoberta ao lado dela:
Eu queria que as pessoas, principalmente aquelas que nunca saíram do país ou nunca tiveram a oportunidade de conhecer os Estados Unidos, pudessem se sentir parte daquela matéria e sentir essa emoção junto comigo.
"Para mim, é isso que a TV brasileira representa: trazer as pessoas para onde eu estou, para o meu universo, através de uma tela", complementou.
O que a Bia levou do Brás para a Globo?
Ao revisitar suas origens, Bia disse ter lembrado da realidade que marcou sua infância e juventude.
Eu vim de um lugar muito humilde, de uma escassez, vim de baixo mesmo. Tive que batalhar ali, ir subindo degrau da minha escada e eu consegui chegar lá. E essa infelizmente é a realidade de milhares de brasileiros que vivem isso todos os dias, vivendo uma vida muito simples, muito humilde, com muitas dificuldades, mas que acreditam que vão chegar lá e lutam diariamente para isso.
A ex-BBB acredita que é justamente essa trajetória que aproxima o público dela. "Eu percorri esse caminho, fui ali na peleja, cada degrauzinho na luta, e estou chegando lá. Isso gera muita identificação, isso gera mais conexão com o público, de ver alguém tão real, que veio de baixo, chegar lá", avaliou.
"E essa é minha essência. Que bom que eu não perdi isso e nem quero perder. Que bom que isso está vivo dentro de mim até hoje", acrescentou
Bia também relacionou seu jeito expansivo nos bastidores ao período em que trabalhou no Brás. "Eu acho que isso vem muito desse DNA das vendas, de camelô, de trabalhar no Brás, de lidar com o público diariamente desde criança", explicou
Apesar da popularidade conquistada desde o BBB 24, ela diz que continua investindo em aprimoramento.
"Como o Tadeu Schmidt disse no meu Big Brother, eu era um diamante que precisava ser lapidado. E hoje eu compreendo completamente cada palavra que ele disse", declarou. "Eu comecei a fazer aula de português porque achei que era muito importante para mim. Eu gosto de estudar, eu gosto de ler, eu gosto de melhorar", disse.
"Eu me assisto muito. Acabei de fazer uma oficina na Globo de apresentadora de TV. Acho que a gente tem que querer sempre evoluir", finalizou.
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